Leituras Recomendadas

Caros Amigos

Vou registrar, bimestralmente, uma breve classificação de algumas leituras, com cometários. Essa é uma maneira de compartilhar opiniões, pressupondo a participação dos leitores deste blog, na contrução de uma análise, não acadêmica, mas sim, de leitores diversos sobre determinadas obras.
Outras sugestões você pode acompanhar através da minha página no skoob http://www.skoob.com.br/usuario/253750





Alice no País das Maravilhas – Lewis Carrol - Classificação: 5 Estrelas

O Mundo das Maravilhas não é uma ilusão.
Enganam-se aqueles que pensam que Alice no país das Maravilhas é um catado de prosopopéias cuja intenção é unicamente o entretenimento. Ainda que Carrol quizesse apenas isso, sua presença no cenário literário vitoriano não lhe permitiria. A inserção de críticas as hierárquias, a postura da Rainha, o jogo da sociedade, as imposições à construção do pequeno adulto e o questionamento sobre a liberdade criativa são marcas profundas deste texto. Alice não é apenas uma personagem de uma história infantil, mas sim uma reprodução de um olhar crítico sobre tudo o que consolidara aquela sociedade. A criança aqui é um forasteiro, não se esqueçam disso, não bastava apenas estar fora do contexto, era necessário ser pura para compreender as relações de poder que se entravam nos dois universos: O País das Maravilhas e o País que nada tinha de Maravilhoso ( A Inglaterra de Jack and Hide). Podemos nos deliciar nas aventuras de Alice com a simplicidade de uma criança? Sim, mas só até aos 12 anos. Como adultos dizer que isso é possível é hipocrisia. Não podemos voltar ao tempo, então não é justo que preguemos esta mentira à nós mesmos. Alice no País das Maravilhas é um livro para adultos com a roupagem de um livro infantil: Coisas para a driblar a censura.






Viagem à aurora do mundo – Erico Veríssimo – 2 estrelas

Um quase não Erico Verissimo
Bem, quem quiser ler este livro sem achar estranho, sugiro que o faça antes de ler qualquer outra obra de Erico Verissimo. Do contrário não conseguirá terminá-lo.
O livro esta longe das maravilhosas narrativas de Veríssimo e principalmente de sua fantástica originalidade. Particularmente eu o classifico como um Benittez mau preparado. Porque compará-lo à Julio Verne é quase uma heresia. Sem dúvida nenhuma é o pior livro de Erico Verissimo. Mas caso você o leia sem conhecer a obra do autor, certamente fará uma passeio interessante à pré-história.



O Planalto e a Estepe – Pepetela – 3 estrelas
Um ponto de vista.
É recorrente, nos dias atuais, autores que se deitam sobre a temática das frustrações pessoais em relação ao socialismo. E Pepetela não é diferente.
O bom é que o livro não termina nas primeiras 100 páginas, e o fato de o protagonista estar presente na batalha de libertação de Angola acaba por mudar o foco. O romance, a la Romeu e Julieta, vivido em Moscovo, ainda que possa ser real, não impressiona, diante das milhares de repetições que assistimos nos ultimos 300 anos.
O livro é bom. Não posso classificá-lo com muitas estrelas. Talvez na parte final. Depois registro aqui o que eu achei.


Memórias de Adriano - Marguerite Yourcenar – 4 estrelas

"Estou impressionado com o Humanismo deste protagonista. Afinal, já li outras memórias atribuídas á imperadores Romanos, como Claudius por exemplo, e este, que frequentemente cita seus encontros com Epicteto o filosofo escravo que revolucionou o pensamento ocidental, mmostra-se bastante envolvido com as causas da paz e de um governo justo. Bem ainda não terminei a leitura, mas sua paixão pelas artes, em especial pela música, e sua maneira de observar o universo, me levam a imaginar o fim trágico dessa personalidade. Depois comento mais."
"Adriano está convicto de sua missão como pacificador do Império, no entanto, dispersa-se demais com questões, no meu ponto de vista, menores. Ainda que o mesmo faça inserções filosóficas sobre maneirismos presentes em sua atualidade, percebe-se que o Império suplíca por um imperador mais empenhado nas soluções sociais da metrópole. A Ásia têm se beneficiado muito com esse governo. Sobretudo no que se refere a valorização de culturas locais, ainda que o imperador insista em construir templos e cidades nos moldes de uma Roma idealisada. Uma maneira de conquistar o povo sem derramar sangue. Muito interessante.

"Muitas curiosidades sobre a história de Roma permeiam este ultimo trecho lido. Destaco a construção do muro britânico, a instauração da Palestina e os jardins de Roma. A morte e a nomeação, por tabela, de Marco aurélio, demonstram que ainda que o protagonista apresente-se entregue aos desígnos da morte, o Oriente é sua grande preocupação. No final, um belíssimo ensaio sobre a composição do texto presentea-nos a autora. Um livro maravilhoso."


O Cigano Visionário : Lauro Machado Coelho – 5 estrelas

A biografia de Liszt tem algumas características bastante marcantes. Gostaria de ressaltar a participação de Salieri que o apresentou à Bethoven, ainda criança, e que fizera o mesmo com Rossini. Outro ponto é o fato de Liszt ter sido o primeiro Mega-Star que se tem história, com direito a tietagem, teatros abarrotados e desfile em praça pública. Outra passagem relevante é o trecho em que conta o período de trabalho como Kapellmeister em Weimar e sua vida com Carolyne.
Simplesmente fantástico. O livro aproxima o leitor do Liszt humano desmistificando muito do que se trazia em biografias anteriores. A produção artística, fruto de suas percepções da realidade, representa toda relação entre deveres e desejos deste magnífico compositor do século XIX. Vale a pena cada centavo investido.


As Mulheres de Meu Pai – Agualusa – 3 estrelas

O Livro é bom. Um tanto quanto confuso eu diria. Apesar de apresentar histórias relativamente ligadas por elos tênues, eu diria, que separadas elas fazem mais sentido. Tive a impressão de que tratava-se de um livro de contos que o autor decidiu criar uma ligação. Enfim, a menina prostituta de Luanda, e as viajens do motorista pederasta, valem o livro."






Leite Derramado – Chico Buarque – 5 Estrelas
O MELHOR LANÇAMENTO DE 2009
LEITE DERRAMADO é uma deliciosa viagem no tempo através da verossímil maneira de narrar. A forma humana de narrar. Com erros, com lapsos, com enganos...; a realidade de uma narração cujo narrador perde-se em sua confusa memória e seus pseudo-diálogos.
Vale a pena cada segundo investido nessa leitura que ficará para história. Chico Buarque explora ao máximo o flanar de Baudelaire e nos traz uma épica história no flanar de uma mente comprometida apenas com o verbo, distante de qualquer responsabilidade com a verdade.