Contempoemidade - Primeiras sugestões de Capa
Foi divulgado hoje as primeiras possíveis capas do livro Contempoemidade: Olhares sobre o espaço que nos cerca, que será lançado em Maio em São Paulo.
O livro é uma antologia poética tendo o espaço como temática central e as relações dos autores com ele. Particpam desse trabalho, que abre a linha Mirfak da Algol Editora, os poetas André Luiz Lacé Lopes, Marcio Callegaro, Ewerton Menezes, Gabriela Malheiros, Violeta Pandolfi e Eu, que já venho anunciando a um certo tempo, mas só agora posso divulgar uma cara para esse projeto.
Contempoemidade, o livro de poesias mais comentado nesse Blog, poderá ter essas capas:
O livro é uma antologia poética tendo o espaço como temática central e as relações dos autores com ele. Particpam desse trabalho, que abre a linha Mirfak da Algol Editora, os poetas André Luiz Lacé Lopes, Marcio Callegaro, Ewerton Menezes, Gabriela Malheiros, Violeta Pandolfi e Eu, que já venho anunciando a um certo tempo, mas só agora posso divulgar uma cara para esse projeto.
Contempoemidade, o livro de poesias mais comentado nesse Blog, poderá ter essas capas:
Vale ressaltar que elas não são definitivas, mas certamente não estaremos tão distantes disso.
Sendo assim, aguardem mais informações sobre o livro e o lançamento nos próximos dias.
Abraços
Ari Mascarenhas
Como Um romance - Uma viagem ao universo da leitura
A obra de Daniel Penac está dividida em 4 partes: Nascimento do Alquimista, É preciso ler, Dar a Ler e O que lemos, quando lemos. Cada capítulo trata de 3 patamares fundamentais: O que é o leitor, Como se forma um leitor (auto-formação) e como se faz a manutenção desse leitor. De forma bastante pedagógica ele nos ensina a perceber traços e sinais essenciais para a compreensão desses patamares.
Através de alguns trechos ficcionais, daí a escolha pelo título metalinguístico, Penac nos apresenta os processos de percepção e os erros comuns gerados nesse momento. Ações que ocorrem em diversos espaços de aprendizagem, como na escola ou em casa. Os pais que pedem ao filho que suba ao quarto e leia, em toda sua autoridade não percebem o período que se passou entre a ultima vez que incentivaram verdadeiamente a leitura até o momento em que ela passou a ser uma ordem. O professor que apresenta uma leitura, aparentemente exaustiva, dado o volume do objeto livro em mãos, e que prova aos seus alunos, com leitura em voz alta, que todo o “muro” que os divide da obra começa a ruir a medida que a leitura avança. E o melhor, em minha opinião, é que o autor sugere uma liberdade nas relações de livro-leitor que foge das regras exteriores ao universo criado pelos dois que permeiam essa relação.
No primeiro capitulo, Nascimento do alquimista, Penac nos provoca ao descrever desculpas universais que tentam justificar o desinteresse pela leitura, por exemplo: a televisão, como sendo uma das maneiras mais confortáveis, já que pressupõe um único ato - o de proibir, de justificativa. Essa provocação se dá pelo fato de que sempre a vemos, a tevê, como vilã da história. A proposta é mostrar quem são os verdadeiros responsáveis pela ausência no desejo de leitura em uma criança. Quem apaga a luz da ficção e fecha as portas do universo de encantamento para abrir o abismo das obrigações de leitura com a ausência plena de responsabilidades dos, agora não mais pais, inquisidores? A síntese desse capítulo pode-se ver no trecho abaixo:
Éramos o contador de histórias e nos tornamos contadores, simplesmente.
Eh! É isso...
É isso... a televisão elevada à dignidade de recompensa... e, em corolário, a leitura reduzida ao nível de obrigação... é bem nosso,esse achado...
As obrigações que afastam a criança do seu universo de relação independente com as histórias dos livros, lidos pelos pais, que trata-se , às vezes, da única intereção entre Pai e filho durante o dia (Vide No caminho de Swann - Marcel Proust ¹), interrompem a formação do Alquimista que traduz em riquezas o universo de códigos apresentados, referenciados por ambientes e tempos, diante dos olhos daquele que, no calor da fase mais criativa que temos, não consegue passar da página 48.
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| Daniel Penac |
No segundo capítulo, É preciso Ler ( O dogma), o autor descreve os discursos que querem forçar uma leitura comprometida com os interesses da sociedade e, completamente, indiferente aos interesses do leitor. Na página 64, a sequência da oração É preciso ler... é exposta com os diversos motivos pelo qual nossa leitura é induzida. Dentre eles destaco: Ler para...
..aprender
...dar certo nos estudos
...conhecer melhor os outros
etc...
Essa redução, ou melhor, tentativa de padronizar os reais motivos de uma leitura apresenta objetivos palpáveis, no entender do discurso, que possam justificar o interesse do leitor. Assim, de forma generalizada, entende-se ser capaz de, com esses argumentos, convencer um não leitor a se tornar um leitor. Enquanto isso o mais importante na relação leitor-livro é esquecido. E o que é o mais importante nessa relação, segundo Penac, é a Liberdade.
A mesma liberdade que sentimos quando adentramos uma história, ou seja quando temos contato com o universo dos signos presentes na obra, devemos ter na relação com o objeto-livro. E é por isso que o autor, no ultimo capítulo, vai tratar das regras que reestabelecem a relação que tinhamos nos primeiros contatos com o universo ficcional do qual nos lembramos.
Em Dar a ler, terceiro capítulo do livro, Penac nos mostra o quanto usamos o tempo como desculpa para não ler. Em seguida, apresenta cálculos que consideram pequenas leituras diárias em busca de grandes leituras ( equivalente ao tamanho do livro) em curtos espaços. Esse capítulo nos mostra que o principal passo para iniciarmos a leitura de uma obra extensa é abrí-la. Surge o exemplo do professor em sala de aula com o livro O Perfume de Patrick Süskind e sua edição de páginas espaçadas,vastas margens, enorme aos olhos daqueles refratários à leitura, e que prometia um suplício interminável.Na página 109 o autor retoma essa imagem para desfazê-la: Um livro grosso é um tijolo. Liberem-se essa ligações, o tijolo se transforma em nuvem.
No quarto e último capítulo, o que lemos, quando lemos ( ou os direitos imprescritíveis do leitor), Penac fecha com chave de ouro em suas 10 diretrizes que permeiam as relações entre leitor e livro.
- O direito de não ler
- O direito de pular páginas
- O direito de não terminar um livro.
- O direito de reler.
- O direito de ler qualquer coisa.
- O direito ao bovarismo.
- O direito de ler em qualquer lugar.
- O direito de ler uma frase aqui e outra ali.
- O direito de ler em voz alta.
- O direito de calar.
Na diretriz de número 10, que o autor assinala como predileta, posta-se a máxima de todas as relações. O que há de íntimo não se deve comentar. E quanto estamos em contato com algo que nos faz revelar,
setores de nosso ser auto-anulados pelas exigências das relações cotidianas, estamos em contato com o que há de mais íntimo em nós mesmos. Falar sobre ou não é uma decisão que cabe somente ao leitor.
- Mas e aí, conte-me, como foi sua leitura de Viagem ao centro da Terra²?
Ouço o farfalhar de uma mariposa do lado de fora rodeando e “ dando vorta em vorta da lampida” de Adoniran³.
Boa Noite Mariposa!
¹ No caminho de Swann - Primeiro volume de Em busca do Tempo Perdido
²Viagem ao centro da Terra (1864) livro do francês Júlio Verne ( 1828-1905)
³As Mariposas – Composição de João Rubinato ( Adoniran Barbosa) 1955
Macunaíma - 80 anos depois e a falta de caráter continua.
Após 80 anos de seu lançamento Macunaíma o herói sem nenhum caráter continua provocando leitores de todas as idades. A provocação da imaginação e o exercício da capacidade de adapatação espacial, temporal e de personalidade fazem dessa obra uma das mais importantes da nossa história. Esqueçam as regrinhas de análise lieterária exigida pela academia e mergulhe nas páginas de Macunaíma com a mente aberta para toda e qualquer transformação daquilo que julgamos concreto e pronto. Um tratado cômico, ou não, da história, da sociologia e da moral ocidental.Macunaíma é um herói indígena, ou seja, de uma civilização que se pressupõe não civilizada, no entanto, é o personagem ideal, segundo o autor, para representar a sociedade moderna de sua época, suas descobertas, seus anseios, suas virtudes e seus defeitos.
Mentiroso, cruel, egocêntrico e com outros adjetivos de colocar inveja nos vilões de histórias passadas; mas que ao mesmo tempo apresentava sinais de espiritualidade e remissão das quais, nos faz duvidar de sua natureza maléfica e , em determinados momentos, qualificá-lo apenas como ingênuo.
A afirmação acima pode ser representada no encontro do herói com o Curupira; esse segundo ofereceu-lhe carne da própria perna para matar-lhe a fome, mas ao mesmo tempo controlar-lhe e conduzi-lo a morte.
A malícia, a ingenuidade, o caráter corrompido e principalmente a necessidade de reconstruir as estruturas que castravam a naturalidade das manifestações culturais, fazem de Macunaíma um símbolo fiel aos anseios de uma sociedade sedenta de evolução.
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| Grande Othelo, o ator que imortalizou o Macunaíma no cinema |
Parte da proposta do movimento modernista consiste em recriar conceitos através do rompimentos com padrões tradicionais.O repensar as estruturas familiares, na visão modernista, não esta somente ligado as questões comportamentais , mas principalmente a questão da transformação intelectual .Se somos capazes de transformar os conceitos familiares , e rompermos com o estruturalismo cristão que sugere a uniformidade mas não garante a paz entre os homens, então , imaginem o que podemos fazer com a literatura.
Mesmo assim, a família não era considerada um valor falso pelos modernistas, mas sim um valor a ser pensado, no entanto, a maldade de Macunaíma para com sua Mãe e seus irmãos, chocam os puritanos e instiga o pensamento moderno dos artistas da época.
O herói engana os irmãos, mente para mãe e é abandonado por ela em um lugar denominado os Cafundós do Judas. Como um personagem, cujo respeito ao seu próximo é praticamente nulo pode ser considerado um herói?
Macunaíma não tinha preocupações sociais, era vaidoso e necessitava de público para suas alegorias. Quando sentia vontade de chorar acreditava não valer a pena se estivesse sozinho. Nem ao menos interiorizava o conceito de família no âmbito religioso.era católico e freqüentava religiões afros , sempre em busca de uma ajuda espiritual em momentos mais difíceis sem muito se preocupar com os valores ou com os mandamentos da instituição do qual fazia parte.
Outra característica de Macunaíma que reflete uma atenuada critica social é o reflexo da falta de vontade que pairava sobre um povo estagnado ,desinteressado e desatento as mudanças e transformações que o país sofria.
“Aí que preguiça”.
Essa era a frase utilizada sempre que alguma ação exigia algum esforço dele. Por menor que ele fosse.
Segundo o professor Francisco Marto de moura (Literatura Brasileira de 1988),:” O herói é apático e esse apatismo é estendido a todo povo brasileiro.”Essa afirmação fundamenta-se na lenda do Pauí-Pódole ( Macunaíma cap. X) onde se encontra o enxerto a seguir:
(...) Uma feita era DIA DE FLOR, festa inventada para os brasileiros serem mais caridosos.
Nessa passagem, segundo o professor, é uma alusão ao DIA DO CRUZEIRO inventado no Brasil para que o povo descansasse um dia a mais.
Em outro trecho da obra, observamos claramente a apatia do herói e a sua falta de interesse.
...Estava na Paraíba e tão sem vontade de chispar que parou .Era por causa do heróis estar impaludado.Perto havia uns trabalhadores destruindo formigueiros para construir um açude . Macunaíma pediu água para eless. Não tinha nem gota, porém deram raiz de umbu.O herói matou a sede dos legornes ,agradeceu e gritou:
-Diabo leve quem trabalha!
Esse apatismo que tomava conta da literatura e da sociedade pós-guerra, refletido nas ações do personagem Macunaíma, aproxima-se bastante, em definição, do recitado por Oswald de Andrade no Manifesto da Poesia Pau Brasil:
“Obuses de elevadores,cubos de arranha-céu e a sábia preguiça escolar.A reza. O carnaval. A energia intíma.O sabiá. A hospitalidade um pouco sensual,amorosa.A saudade dos pajés e dos campos de aviação militar.Pau-Brasil”
( Correio da Manhã,18/03/1924).
Observando as características físicas do personagem pode-se notar marcas de questões raciais. Existe uma confluência racial presente desde o primeiro capítulo, quando o autor descreve que o herói índio Nasce Preto retinto.
Mas essa afirmação fcia melhor evidenciada no inicio do capítulo V (Piaimã) quando após nadarem na água encantada que estava empoçada na marca da pegada de Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus para os índios ; Macunaíma limpou todo o pretume do seu corpo e se transformou em um herói louro, tipicamente europeu.
“e estava lindíssimo na Sol da Lapa os três manos um louro um vermelho e outro negro,de pé bem erguidos e nus .Todos os seres dos matos espiavam assombrados.
E foi assim , segundo a lenda de Macunaíma que se originou a formação da raça brasileira.O índio , o negro e o branco.
Macunaíma é o herói que melhor qualifica o anti-herói ou vice versa. É anti herói por todas as características que descrevemos até aqui e por suas ações durante a aventura da única coisa que lhe interessava: A muriaquitã. Cujo o valor é unicamente nostálgico e que representa a necessidade de um povo em busca de suas raízes sem a demagogia, criticada pelos modernistas, dos romancistas do século anterior.
È herói por ser brasileiro, moderno e dono de seu destino. Herói por representar tão bem os defeitos de uma nação e sugerir, mesmo que em metáforas não intencionais, uma verdadeira abolição de muitos conceitos imperialistas que ainda regiam a sociedade cafeeira da república brasileira. É herói nos confrontos que travou com as novidades tecnológicas e na forma como adequou sua linguagem para compreendê-las e semeá-las entre os seus.Macunaíma é herói de uma nação moderna, próspera e nacionalista.
“A ursa maior é Macunaíma. É mesmo o herói capenga que de tanto penar na terra sem saúde e com muita saúva , se aborreceu de tudo, foi-se embora e banza solitário no campo vasto do céu.”( Macunaíma – cap. XVII- Ursa Maior)
ASMC
ASMC
Bibliografia:
Andrade, Mario de. Macunaíma – o herói sem nenhum caráter. 1ªed. Editora Gran Bell, São Paulo. 1999
Andrade, Mario de. Macunaíma – o herói sem nenhum caráter. 1ªed. Editora Gran Bell, São Paulo. 1999
Retrospectiva 2010 - uma tentativa
Seria impossível listar aqui todas as grandes realizações culturais em 2010, por isso, assim como em toda e qualquer retrospectiva, escolhi os principais fatos que participei esse ano para fazer esse pequeno registro histórico. A seleção dos eventos aconteceu sob o critério extremamente pessoal. Ou seja, alguns podem discordar da importância que darei a determinado evento em detrimento a outro, mas isso é apenas uma opinião pessoal, cada qual tem a liberdade de opinar a respeito dessas colocações da maneira que achar melhor. Fiquem a vontade, este é um blog extremamente democrático.
Bem vamos lá. O ano começou com uma importante matéria na Revista da livraria Cultura. Uma entrevista, que viria a ser a ultima, de José Mindlin. Este importante bibliófilo aprendeu a amar os livros muito cedo e não parou mais. Sua rica coleção foi doada a Universidade de São Paulo, mas os estudantes e leitores em geral podiam visitar, em sua própria residência, esse belíssimo acervo cheio de edições raras e tiragens únicas. Mindlin nos deixou em 28 de Fevereiro de 2010. A mim, particularmente, muita saudade. Aos alunos da USP um tesouro.
A Alegria do Circo foi revivida em dois momentos no ano de 2010. Na deliciosa leitura sobre a memória preservada da história por detrás do encantamento e da magia do circo, publicado por Amanda Zeni na revista da Livraria Cultura em Março e na visita que fiz ao circo América, instalado em Itapecerica da Serra na primeira Semana de Julho. No espetáculo mágico do circo pude ver, agora com olhos mais amadurecidos, que todo o espetáculo de um picadeiro pobre é feito por no máximo oito pessoas. O palhaço é o animador, trapezista, pipoqueiro e vendedor de fotografias na saída. Cada membro desenvolve mais de quatro tarefas e quase sempre simultâneas. Tudo para que o público tenha alguns minutos de diversão e arte. Estive com minha sobrinha Victória que, não podia ser diferente, ficou encantada com as luzes, as cores e o dinamismo dos integrantes daquela nave maluca cheia de beleza e superação.
Outro momento marcante aconteceu no dia 24 de Abril em Campinas. Estávamos em Campinas para o lançamento do livro Círculos de Influências, de Marco Aurélio Scarpinella, no Espaço CPFL Cultural. O lançamento seria antes da apresentação Vanguarda Musical Russa reprimida – período Khrénikov, sob a curadoria de Antonio Eduardo e Gilberto Mendes, com a participação do violoncelista Fábio Pellegatti, a contrabaixista Sonia Ray e o pianista Antonio Eduardo, que dividiu o piano com Maria Emilia Moura Campos. O espetáculo foi fabuloso, marcante, instigante. O programa trazia obras de Alfred Schittke, Galina Ustvolskaya, Sofia Gubaidulina e Nicolai Kapustin; uma música que provocou as mais diversas reações no público. Alguns se levantavam e saíam após ver o violoncelo ser tocado de costas, outros ficavam, como eu, encantados com a ousadia e a novidade que se firmava diante de meus olhos. Mas o evento maior foi depois, quando no saguão do espaço, conheci Antonio Eduardo e tive o prazer de adquirir seu CD “da areia também se vê o mar”. Disco que rodou centenas de vezes em meu laser; uma obra ria e rara de um dos maiores pianistas do Brasil em atividade. Um interprete revolucionário de uma música revolucionária.
E por falar em revolução o mês de Abril prometeu, um dia antes do espetáculo anterior citado, assisti a filme Utopia e Barbárie de Silvio Tendler. Um documentário sobre as lutas sociais da segunda metade do século xx no Brasil e nas Américas. Com destaque para o enfrentamento ao regime militar brasileiro. O filme é bom, salvo o interesse descarado de promover a campanha de Dilma Roussef à presidência da República, aliás, o cinema nacional ajudou bastante o PT em 2010, já não bastava o Lula, O filho do Brasil de Janeiro, agora eles lançaram outra produção para mostrar que os heróis chegaram. A Utopia não pode morrer, mas eles se esforçam bastante para matá-la.
No dia 25 e Abril, o Família Bike 2010 disparou em frente à Praça da Fonte de Itapecerica da Serra. Um percurso de pouco mais de 20 km com uma multidão alegre e empenhada em terminar a prova resume este belo passeio ciclístico na manhã de domingo. Após algumas horas de muita serra, muito morro e pouca água, paramos em um sítio que hoje funciona a sede da Universidade Digital de São Carlos, na Estrada Armando Sales. O sítio te um lindo pomar, a vista para o Rodoanel, uma flora intocada e uma fauna composta por serelepes , lagartos e outros animais silvestres que encontram naquele local um lar. Mais um maravilhoso passeio a bordo da minha querida poderosa.
No dia 02 de Maio, Theatro São Pedro, assisti a primeira ópera da Temporada 2010. Nada mais nada menos que Tosca de Giacomo Puccini. Ana Paula Brunkow, Rubens Medina e Rodrigo Esteves, traziam aos palcos do São Pedro, com a orquestra da OSUSP sob a Regência de Ligia Amadio, um dos melhores espetáculos de ópera do ano. Elogiado pela maioria da crítica, essa encenação de Tosca, nos devolve a força do drama na ópera de Puccini, conhecido por suas criações cômicas e leves orquestrações. Coincidentemente no Natal de 2010 ganhei de meu irmão, Ciro, um DVD com a Cia Canadense de Ópera que remonta esse que belo espetáculo lírico.
Três dias depois, a grande festa da ópera e da música clássica acontecia na Sala São Paulo. Era a cerimônia de entrega do XIII Prêmio Carlos Gomes.A lista dos vencedores já foi publicada no blog oficial da ALGOL editora e já é de conhecimento de todos. Gostaria de registrar aqui as três grandes surpresas da noite para mim. Primeiro foi o número de indicações e prêmios recebidos pela ópera de Villa-Lobos A menina das Nuvens. Merecido por sinal, já que eu assisti alguns trechos na internet e realmente é maravilhoso. Em 2011, ouvi rumores de que a Menina das Nuvens irá reinaugurar o Theatro Municipal de São Paulo, espero que isso aconteça, será um grande presente para cidade. Mas claro precisa ser com a Gabriela Pacé, a eterna menina das nuvens, essa soprano foi a grande revelação lírica para mim em 2010. No final do ano ela ainda nos presenteou com uma inesquecível Viúva Alegre. Bem, voltando ao Prêmio Carlos Gomes, a segunda surpresa da noite foi o dueto de Gabriela Pacé e Adriana Clis na Barcarola – Os contos de Hoffman de Jacques Offenbach, a beleza das vozes deixou o público paralisado. A mãe de uma amiga ficou encantada, e assim como ela, eu também fiquei. Quanta delicia em notas bem trabalhadas e doces vozes num bailar apaixonante. Mas, a noite ainda tinha outra grande surpresa para mim.

Anna Caterina Antonacci, que linda soprano. Sua beleza exterior é compatível a voz de ninfa que emana quando seus lábios se afastam. Assisti ao seu espetáculo na Sala São Paulo no dia 22 de julho e jamais esquecerei. Jamais ouvira Gabriel Fauré como nesta noite. Realmente encantadora. É, já li isso em outros lugares, o tempo das Sopranos Reconchonchudas e de cabelos amarrados já era. Anna Caterina, Netrebko, Lamosa e Pacé estão aí pra mostrarem que novos tempos chegaram. A linda era de Maria Callas.
E por falar em Rosana Lamosa, o mês de Agosto chegou e eu ansioso para ver minha diva cantando ao lado de seu marido, Fernando Portari, de talento indiscutível e de uma generosidade sem tamanho. E lá estava, no dia 24 de agosto, a diva no papel de Norina em Don Pasquale. Além do espetáculo abrilhantado pelo casal 20 da ópera brasileira, outra especial surpresa foi a performance de Saulo Javan (Do Pasquale) e Douglas Hahn (Malatesta) em um dueto belíssimo com direito a uma tentativa de malabaris com chapéus e bengalas. Maravilhoso. Grande parte desse espetáculo esta no Youtube, http://www.youtube.com/watch?v=5ENj7TlEUQE, acessem este que foi o terceiro espetáculo da temporada do Theatro São Pedro. O Segundo foi Rigoleto, julho de 2010, o qual assisti ao ensaio final e tivemos uma grande decepção com o tenor. No ato mais famoso dele , La donne móbile, ele simplesmente não cantou. Mas enfim, voltando ao casal 20, eu teria a oportunidade de vê-los atuando mais uma vez. Dessa feita no Rio de Janeiro com Romeu e Julieta.
Dia 09 de Setembro no teatro Eva Herz, assisti ao espetáculo do grupo Amarcord. Esse grupo faz da ópera uma experiência dinâmica com a fusão, ao mesmo tempo, da comédia com o melodrama. O grupo italiano construiu uma nova linguagem através da qual “comunica a música”. Tal linguagem trabalha desde a produção musical, a organização e interpretação de cena, com uma diferente e moderna leitura dos libretos. O programa inclui Rossini, Verdi, Donizetti, Puccini, Mozart até Di Capua. Uma divertida noite com essa remontagem especial dos clássicos, incluindo instrumentos não muito convencionais como o acordeon, teclados digitais e até pandeiros.
E o mês de Setembro estava apenas começando. No dia 21/09 assisti ao Romeu E Julieta do Casal 20, Lamosa e Potari, no teatro Municipal do Rio de Janeiro, de Charles Gounod. Com produção de Carla Camurati e regência de Silvio Vegas esse é o grande candidata para ópera do ano de 2010. A produção encontrou o equilíbrio certo entre cenário e as deficiências arquitetônicas do teatro para que todos pudessem ver a janela de Julieta, as lágrimas de Romeu e os duelos Shakespearianos. Nessa ópera reencontrei Adrian Clis, lembram do prêmio Carlos Gomes, a Barcarola veio na hora em mente. Depois nos reencontramos no lançamento do livro Arquitetura da emoção em Novembro.
Nos dias que seguiram 22 e 23 de Setembro, assisti ao IV seminário de poesia e contemporaneidade na UFF. Bem, as descobertas nesse grupo dariam um livro, então vou elencar aqui a descoberta de uma pessoa. Professora Flora Sussekind, na primeira mesa do dia 23, deu um espetáculo de academia funcional. Mostrou aos membros da mesa que a poesia deve ser tratada com status de humanidade, e não apenas trabalhos subjetivos de complexa assimilação social. Mas pra frente conheci, em um evento na livraria da Vila, na presença de Ondjaki, o professor Antonio Dimas, que se mostrou bastante comprometido com esse ponto de vista da professora Flora. Para mim, os tesouros que conheci esse ano, dentro da academia, são eles: Professora Flora, Professor Dimas, Professora Vima e Flávia, cujo espírito de reformulação dos conceitos de academia funcionalidade estão de acordo com o que eu já começava a acreditar ser pura utopia.
No dia 15 de Outubro, Teatro Humboldt, assisti a uma montagem compactada, mas nem por isso ruim, de A flauta Mágica. Surpresa ao chegar ao teatro e ver que tão perto de casa temos um teatro com aquela qualidade. E na apresentação dos jovens cantores daquela ópera, com destaque para as interpretações de Rainha da Noite e Papageno.
Mas o mês de Outubro ficou verdadeiramente marcado pelo início do projeto de Leitura aos domingos no colégio Leda Felice. Um grupo mais que especial formou-se nesse projeto e hoje tenho novos amigos cuja aliança é a literatura. O melhor desse projeto é que em 2011 ele continuará com força total, atraindo mais amantes da literatura e trazendo uma nova opção de lazer e cultura para os cidadãos da nossa cidade. Visite nosso site: http://letrasleda.blogspot.com/
E a lição de Ionesco que não saiu? Bem as eleições, o ENEM e outros fatos nos atrapalharam, mas em 2011, a lição vem aí.
Como eu disse no início, houveram outros tantos fatos importantes, como o espetáculo com Elisabete Savalla no largo da matriz, outras óperas, musicais, filmes, aulas de violino ( foram todas inesquecíveis), eventos literários ( como o Letras em Cena- inesquecíveis leituras dramáticas), viradas, lançamentos, projetos, que poderiam aparecer nessa retrospectiva mas seria impossível fazê-la nesses moldes, de modo que o que aqui está exposto representa bem os principais eventos culturais de 2010 em que estive presente. Só posso falar do que vi e ouvi, o resto é especulação.
Um grande beijo à todos e um 2011 repleto de realizações para todos nós.
Ari Mascarenhas - FV
Bem vamos lá. O ano começou com uma importante matéria na Revista da livraria Cultura. Uma entrevista, que viria a ser a ultima, de José Mindlin. Este importante bibliófilo aprendeu a amar os livros muito cedo e não parou mais. Sua rica coleção foi doada a Universidade de São Paulo, mas os estudantes e leitores em geral podiam visitar, em sua própria residência, esse belíssimo acervo cheio de edições raras e tiragens únicas. Mindlin nos deixou em 28 de Fevereiro de 2010. A mim, particularmente, muita saudade. Aos alunos da USP um tesouro.
A Alegria do Circo foi revivida em dois momentos no ano de 2010. Na deliciosa leitura sobre a memória preservada da história por detrás do encantamento e da magia do circo, publicado por Amanda Zeni na revista da Livraria Cultura em Março e na visita que fiz ao circo América, instalado em Itapecerica da Serra na primeira Semana de Julho. No espetáculo mágico do circo pude ver, agora com olhos mais amadurecidos, que todo o espetáculo de um picadeiro pobre é feito por no máximo oito pessoas. O palhaço é o animador, trapezista, pipoqueiro e vendedor de fotografias na saída. Cada membro desenvolve mais de quatro tarefas e quase sempre simultâneas. Tudo para que o público tenha alguns minutos de diversão e arte. Estive com minha sobrinha Victória que, não podia ser diferente, ficou encantada com as luzes, as cores e o dinamismo dos integrantes daquela nave maluca cheia de beleza e superação.Outro momento marcante aconteceu no dia 24 de Abril em Campinas. Estávamos em Campinas para o lançamento do livro Círculos de Influências, de Marco Aurélio Scarpinella, no Espaço CPFL Cultural. O lançamento seria antes da apresentação Vanguarda Musical Russa reprimida – período Khrénikov, sob a curadoria de Antonio Eduardo e Gilberto Mendes, com a participação do violoncelista Fábio Pellegatti, a contrabaixista Sonia Ray e o pianista Antonio Eduardo, que dividiu o piano com Maria Emilia Moura Campos. O espetáculo foi fabuloso, marcante, instigante. O programa trazia obras de Alfred Schittke, Galina Ustvolskaya, Sofia Gubaidulina e Nicolai Kapustin; uma música que provocou as mais diversas reações no público. Alguns se levantavam e saíam após ver o violoncelo ser tocado de costas, outros ficavam, como eu, encantados com a ousadia e a novidade que se firmava diante de meus olhos. Mas o evento maior foi depois, quando no saguão do espaço, conheci Antonio Eduardo e tive o prazer de adquirir seu CD “da areia também se vê o mar”. Disco que rodou centenas de vezes em meu laser; uma obra ria e rara de um dos maiores pianistas do Brasil em atividade. Um interprete revolucionário de uma música revolucionária.
E por falar em revolução o mês de Abril prometeu, um dia antes do espetáculo anterior citado, assisti a filme Utopia e Barbárie de Silvio Tendler. Um documentário sobre as lutas sociais da segunda metade do século xx no Brasil e nas Américas. Com destaque para o enfrentamento ao regime militar brasileiro. O filme é bom, salvo o interesse descarado de promover a campanha de Dilma Roussef à presidência da República, aliás, o cinema nacional ajudou bastante o PT em 2010, já não bastava o Lula, O filho do Brasil de Janeiro, agora eles lançaram outra produção para mostrar que os heróis chegaram. A Utopia não pode morrer, mas eles se esforçam bastante para matá-la.
No dia 25 e Abril, o Família Bike 2010 disparou em frente à Praça da Fonte de Itapecerica da Serra. Um percurso de pouco mais de 20 km com uma multidão alegre e empenhada em terminar a prova resume este belo passeio ciclístico na manhã de domingo. Após algumas horas de muita serra, muito morro e pouca água, paramos em um sítio que hoje funciona a sede da Universidade Digital de São Carlos, na Estrada Armando Sales. O sítio te um lindo pomar, a vista para o Rodoanel, uma flora intocada e uma fauna composta por serelepes , lagartos e outros animais silvestres que encontram naquele local um lar. Mais um maravilhoso passeio a bordo da minha querida poderosa.
No dia 02 de Maio, Theatro São Pedro, assisti a primeira ópera da Temporada 2010. Nada mais nada menos que Tosca de Giacomo Puccini. Ana Paula Brunkow, Rubens Medina e Rodrigo Esteves, traziam aos palcos do São Pedro, com a orquestra da OSUSP sob a Regência de Ligia Amadio, um dos melhores espetáculos de ópera do ano. Elogiado pela maioria da crítica, essa encenação de Tosca, nos devolve a força do drama na ópera de Puccini, conhecido por suas criações cômicas e leves orquestrações. Coincidentemente no Natal de 2010 ganhei de meu irmão, Ciro, um DVD com a Cia Canadense de Ópera que remonta esse que belo espetáculo lírico.
Três dias depois, a grande festa da ópera e da música clássica acontecia na Sala São Paulo. Era a cerimônia de entrega do XIII Prêmio Carlos Gomes.A lista dos vencedores já foi publicada no blog oficial da ALGOL editora e já é de conhecimento de todos. Gostaria de registrar aqui as três grandes surpresas da noite para mim. Primeiro foi o número de indicações e prêmios recebidos pela ópera de Villa-Lobos A menina das Nuvens. Merecido por sinal, já que eu assisti alguns trechos na internet e realmente é maravilhoso. Em 2011, ouvi rumores de que a Menina das Nuvens irá reinaugurar o Theatro Municipal de São Paulo, espero que isso aconteça, será um grande presente para cidade. Mas claro precisa ser com a Gabriela Pacé, a eterna menina das nuvens, essa soprano foi a grande revelação lírica para mim em 2010. No final do ano ela ainda nos presenteou com uma inesquecível Viúva Alegre. Bem, voltando ao Prêmio Carlos Gomes, a segunda surpresa da noite foi o dueto de Gabriela Pacé e Adriana Clis na Barcarola – Os contos de Hoffman de Jacques Offenbach, a beleza das vozes deixou o público paralisado. A mãe de uma amiga ficou encantada, e assim como ela, eu também fiquei. Quanta delicia em notas bem trabalhadas e doces vozes num bailar apaixonante. Mas, a noite ainda tinha outra grande surpresa para mim. Quando ninguém mais esperava grandes apresentações, já que todos os prêmios haviam sido entregues, a Niza de Castro, mestre de cerimônia, já havia feito o discurso final, eis que o maestro Carlos Moreno, juntamente com a orquestra de Santo André, decidem dar uma canja com uma música da autoria do maestro e jamais reproduzida em público. Abertura Vittória deixou-me cravado em meu assento sem quase respirar. Foram seis minutos de pura emoção e prazer em ouvir uma canção tão bela e tão provocante quanto a composição daquele maestro. Fechando assim minha noite com chave de ouro. Nem me importei tanto em saber que naquele dia o Corinthians havia sido eliminado da Libertadores pelo Flamengo em plano Pacaembu. Minha Noite com a Menina das Nuvens, a Barcarola e a Abertura Vittoria já estava consolidada como uma das inesquecíveis de 2010.

Anna Caterina Antonacci, que linda soprano. Sua beleza exterior é compatível a voz de ninfa que emana quando seus lábios se afastam. Assisti ao seu espetáculo na Sala São Paulo no dia 22 de julho e jamais esquecerei. Jamais ouvira Gabriel Fauré como nesta noite. Realmente encantadora. É, já li isso em outros lugares, o tempo das Sopranos Reconchonchudas e de cabelos amarrados já era. Anna Caterina, Netrebko, Lamosa e Pacé estão aí pra mostrarem que novos tempos chegaram. A linda era de Maria Callas.
E por falar em Rosana Lamosa, o mês de Agosto chegou e eu ansioso para ver minha diva cantando ao lado de seu marido, Fernando Portari, de talento indiscutível e de uma generosidade sem tamanho. E lá estava, no dia 24 de agosto, a diva no papel de Norina em Don Pasquale. Além do espetáculo abrilhantado pelo casal 20 da ópera brasileira, outra especial surpresa foi a performance de Saulo Javan (Do Pasquale) e Douglas Hahn (Malatesta) em um dueto belíssimo com direito a uma tentativa de malabaris com chapéus e bengalas. Maravilhoso. Grande parte desse espetáculo esta no Youtube, http://www.youtube.com/watch?v=5ENj7TlEUQE, acessem este que foi o terceiro espetáculo da temporada do Theatro São Pedro. O Segundo foi Rigoleto, julho de 2010, o qual assisti ao ensaio final e tivemos uma grande decepção com o tenor. No ato mais famoso dele , La donne móbile, ele simplesmente não cantou. Mas enfim, voltando ao casal 20, eu teria a oportunidade de vê-los atuando mais uma vez. Dessa feita no Rio de Janeiro com Romeu e Julieta.
Dia 09 de Setembro no teatro Eva Herz, assisti ao espetáculo do grupo Amarcord. Esse grupo faz da ópera uma experiência dinâmica com a fusão, ao mesmo tempo, da comédia com o melodrama. O grupo italiano construiu uma nova linguagem através da qual “comunica a música”. Tal linguagem trabalha desde a produção musical, a organização e interpretação de cena, com uma diferente e moderna leitura dos libretos. O programa inclui Rossini, Verdi, Donizetti, Puccini, Mozart até Di Capua. Uma divertida noite com essa remontagem especial dos clássicos, incluindo instrumentos não muito convencionais como o acordeon, teclados digitais e até pandeiros.
E o mês de Setembro estava apenas começando. No dia 21/09 assisti ao Romeu E Julieta do Casal 20, Lamosa e Potari, no teatro Municipal do Rio de Janeiro, de Charles Gounod. Com produção de Carla Camurati e regência de Silvio Vegas esse é o grande candidata para ópera do ano de 2010. A produção encontrou o equilíbrio certo entre cenário e as deficiências arquitetônicas do teatro para que todos pudessem ver a janela de Julieta, as lágrimas de Romeu e os duelos Shakespearianos. Nessa ópera reencontrei Adrian Clis, lembram do prêmio Carlos Gomes, a Barcarola veio na hora em mente. Depois nos reencontramos no lançamento do livro Arquitetura da emoção em Novembro.
Nos dias que seguiram 22 e 23 de Setembro, assisti ao IV seminário de poesia e contemporaneidade na UFF. Bem, as descobertas nesse grupo dariam um livro, então vou elencar aqui a descoberta de uma pessoa. Professora Flora Sussekind, na primeira mesa do dia 23, deu um espetáculo de academia funcional. Mostrou aos membros da mesa que a poesia deve ser tratada com status de humanidade, e não apenas trabalhos subjetivos de complexa assimilação social. Mas pra frente conheci, em um evento na livraria da Vila, na presença de Ondjaki, o professor Antonio Dimas, que se mostrou bastante comprometido com esse ponto de vista da professora Flora. Para mim, os tesouros que conheci esse ano, dentro da academia, são eles: Professora Flora, Professor Dimas, Professora Vima e Flávia, cujo espírito de reformulação dos conceitos de academia funcionalidade estão de acordo com o que eu já começava a acreditar ser pura utopia.
No dia 15 de Outubro, Teatro Humboldt, assisti a uma montagem compactada, mas nem por isso ruim, de A flauta Mágica. Surpresa ao chegar ao teatro e ver que tão perto de casa temos um teatro com aquela qualidade. E na apresentação dos jovens cantores daquela ópera, com destaque para as interpretações de Rainha da Noite e Papageno.Mas o mês de Outubro ficou verdadeiramente marcado pelo início do projeto de Leitura aos domingos no colégio Leda Felice. Um grupo mais que especial formou-se nesse projeto e hoje tenho novos amigos cuja aliança é a literatura. O melhor desse projeto é que em 2011 ele continuará com força total, atraindo mais amantes da literatura e trazendo uma nova opção de lazer e cultura para os cidadãos da nossa cidade. Visite nosso site: http://letrasleda.blogspot.com/
E a lição de Ionesco que não saiu? Bem as eleições, o ENEM e outros fatos nos atrapalharam, mas em 2011, a lição vem aí.
Como eu disse no início, houveram outros tantos fatos importantes, como o espetáculo com Elisabete Savalla no largo da matriz, outras óperas, musicais, filmes, aulas de violino ( foram todas inesquecíveis), eventos literários ( como o Letras em Cena- inesquecíveis leituras dramáticas), viradas, lançamentos, projetos, que poderiam aparecer nessa retrospectiva mas seria impossível fazê-la nesses moldes, de modo que o que aqui está exposto representa bem os principais eventos culturais de 2010 em que estive presente. Só posso falar do que vi e ouvi, o resto é especulação.
Um grande beijo à todos e um 2011 repleto de realizações para todos nós.
Ari Mascarenhas - FV
Lançamento da biografia de Bela Bartók
Lançamento do livro: Nela Vive a Alma de Seu Povo: Vida e Obra de Bela Bartók
Lauro Machado Coelho
Bela Bartók sempre foi um solitário. Desde cedo desenvolveu uma integridade que – à exceção de algumas pessoas mais próximas – lhe valeu mais respeito do que estima. Desde muito cedo teve consciência de sua importância como compositor, apesar da dificuldade de aceitação contra a qual sempre lutou. - Lauro Machado Coelho.
Sempre atento a história e a formação de canções populares, Bartók, além de seu prestígio como compositor passa a ser também um grande estudioso do tema, criando juntamente com Kódaly os conceitos de etnomusicologia que viriam a revolucionar a maneira como se ouve ou estuda música no século XX. Este livro nos traz um panorama completo dessa bela carreira que nos presenteou com três concertos para piano, um concerto para orquestra, seis quartetos para cordas, sonatas e os mikrokosmos.
Assim como as biografias de Franz Liszt, Anton Bruckner, Hector Berlioz e Jean Sibelius, lançados por esta editora, este quinto livro dá sequência a série de biografias de compositores eruditos, inéditas em língua portuguesa, assinada por Lauro Machado Coelho, o autor oferece a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a vida e a obra desses cuja a critica tem encarado com um certo desdém.
Lançamento dia 01/12
Nela Vive a Alma de Seu Povo:
vida e obra de Béla Bartók
Lauro Machado Coelho
São Paulo, Algol editora, 2010
ISBN 378-85-60187-28-7
Formato: 15 x 23 cm Brochura Papel: pólen soft 80 g/m² Páginas: 256
Bibliografia Índice onomástico
Lauro Machado Coelho
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| Biografia de Bartók estará disponível em Dezembro nas livrarias. |
Sempre atento a história e a formação de canções populares, Bartók, além de seu prestígio como compositor passa a ser também um grande estudioso do tema, criando juntamente com Kódaly os conceitos de etnomusicologia que viriam a revolucionar a maneira como se ouve ou estuda música no século XX. Este livro nos traz um panorama completo dessa bela carreira que nos presenteou com três concertos para piano, um concerto para orquestra, seis quartetos para cordas, sonatas e os mikrokosmos.
Assim como as biografias de Franz Liszt, Anton Bruckner, Hector Berlioz e Jean Sibelius, lançados por esta editora, este quinto livro dá sequência a série de biografias de compositores eruditos, inéditas em língua portuguesa, assinada por Lauro Machado Coelho, o autor oferece a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a vida e a obra desses cuja a critica tem encarado com um certo desdém.
Lançamento dia 01/12
Nela Vive a Alma de Seu Povo:
vida e obra de Béla Bartók
Lauro Machado Coelho
São Paulo, Algol editora, 2010
ISBN 378-85-60187-28-7
Formato: 15 x 23 cm Brochura Papel: pólen soft 80 g/m² Páginas: 256
Bibliografia Índice onomástico
XII Festa do Livro USp-2010 - Lista das editora participantes
Caros amigos a já tradicional Festa do Livro da USP terá a sua XII edição nos dias 24,25 e 26 de Novembro no prédio de História FFLCH.
O Grande diferencial deste evento é que todos os livros possuem o desconto de 50% em seu preço de capa, o que faz da feira, um excelente espaço para aquisição de livros e presentes de fim de Ano.
então, não compre livro hoje, espere até a Festa do livro e garanta seus exemplares com 50% de desconto.
Segue abaixo a relação das editoras participantes neste ano.
RELAÇÃO DAS EDITORAS PARTICIPANTES:
EDITORA
7 LETRAS
A.C.A. MUSEU LASAR SEGALL
AD HOMINEM
AEROPLANO EDITORA
ALAMEDA EDITORIAL
ALGOL EDITORA
ANNABLUME EDITORA
ANPOCS
ARTES & OFÍCIOS
ASSOCIAÇÃO EDITORIAL HUMANITAS
ASSOCIAÇÃO SCIENTIAE STUDIA
ATELIÊ EDITORIAL
AUTÊNTICA EDITORA
AZOUGUE EDITORIAL
BEM-TE-VI PRODUÇÕES LITERÁRIAS
BERLENDIS & VERTECCHIA EDITORES
BOITEMPO EDITORIAL
BRINQUE-BOOK
CALLIS EDITORA
CAPIVARA EDITORA
CASA DA PALAVRA PRODUÇÃO EDITORIAL
CIRANDA CULTURAL
COMPANHIA DAS LETRAS
CONRAD EDITORA
CONTRAPONTO EDITORA
COSAC NAIFY
DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA DA USP
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
DISCURSO EDITORIAL
DUNA DUETO
EDIÇÕES PINAKOTHEKE
EDIÇÕES ROSARI
EDIPRO
EDITORA 34
EDITORA ALEPH
EDITORA ALFA-ÔMEGA
EDITORA BARCAROLLA
EDITORA BECA
EDITORA BIRUTA
EDITORA BLUCHER
EDITORA BRASILIENSE
EDITORA CENTAURO
EDITORA DA FIEO
EDITORA DA UFF
EDITORA DA UFRJ
EDITORA DA UNICAMP
EDITORA EDUSC
EDITORA ESTAÇÃO LIBERDADE
EDITORA EXPRESSÃO POPULAR
EDITORA FIOCRUZ
EDITORA FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO
EDITORA GARAMOND
EDITORA GIORDANO
EDITORA GIRASSOL
EDITORA GLOBO
EDITORA HEDRA
EDITORA HORIZONTE
EDITORA HUCITEC
EDITORA ÍBIS
EDITORA ILUMINURAS
EDITORA IMAGINÁRIO
EDITORA INSTITUTO PAULO FREIRE
EDITORA LANDSCAPE
EDITORA NARRATIVA UM
EDITORA NOVA ALEXANDRIA
EDITORA PAPAGAIO
EDITORA PEIRÓPOLIS
EDITORA PERSPECTIVA
EDITORA SUNDERMANN
EDITORA TERCEIRO NOME
EDITORA TYKHÉ
EDITORA UEPG
EDITORA UFMG
EDITORA UFPR
EDITORA UNESP
EDITORA UNIFESP
EDITORA VEREDAS
EDITORA WMF
EDUEL - EDITORA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA
EDUEM - EDITORA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ
EDUERJ - EDITORA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO
EDUFU - EDITORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
EDUSP - EDITORA DA UNIVERSIDADE DE SP
ESCRITURAS EDITORA
FONDO DE CULTURA ECONOMICA
GLOBAL E GAIA EDITORA
GRUPO ÁTOMO & ALÍNEA
HUMANITAS - FFLCH USP
IEA - USP
IEB - INSTITUTO DE ESTUDOS BRASILEIROS
IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO DE SP
INSTITUTO MOREIRA SALES
INSTITUTO PIAGET
LANDY EDITORA
LAZULI EDITORA
LEITURA MÉDICA
LÍNGUA GERAL
LPM
MANATI PRODUÇÕES EDITORIAIS
MARTINS MARTINS FONTES EDITORA
MAUAD EDITORA
MUSA EDITORA
MUSEU PAULISTA
NANKIN EDITORIAL
NOVA FRONTEIRA
ODYSSEUS EDITORA
OFICINA DE TEXTOS
OURO SOBRE AZUL
PALAS ATHENA EDITORA
PALLAS EDITORA
PANDAS BOOKS
PAPIRUS EDITORA
PAULINAS EDITORA
PAULUS
PAZ E TERRA
PUBLIFOLHA
REVISTA USP / CCS
ROMANO GUERRA EDITORA
SÁ EDITORA
TASCHEN
TERRA VIRGEM EDITORA
VIA LETTERA EDITORA
VIEIRA & LENT
XAMÃ EDITORA
NOS VEMOS LÁ!!!
O Grande diferencial deste evento é que todos os livros possuem o desconto de 50% em seu preço de capa, o que faz da feira, um excelente espaço para aquisição de livros e presentes de fim de Ano.
então, não compre livro hoje, espere até a Festa do livro e garanta seus exemplares com 50% de desconto.
Segue abaixo a relação das editoras participantes neste ano.
RELAÇÃO DAS EDITORAS PARTICIPANTES:
EDITORA
7 LETRAS
A.C.A. MUSEU LASAR SEGALL
AD HOMINEM
AEROPLANO EDITORA
ALAMEDA EDITORIAL
ALGOL EDITORA
ANNABLUME EDITORA
ANPOCS
ARTES & OFÍCIOS
ASSOCIAÇÃO EDITORIAL HUMANITAS
ASSOCIAÇÃO SCIENTIAE STUDIA
ATELIÊ EDITORIAL
AUTÊNTICA EDITORA
AZOUGUE EDITORIAL
BEM-TE-VI PRODUÇÕES LITERÁRIAS
BERLENDIS & VERTECCHIA EDITORES
BOITEMPO EDITORIAL
BRINQUE-BOOK
CALLIS EDITORA
CAPIVARA EDITORA
CASA DA PALAVRA PRODUÇÃO EDITORIAL
CIRANDA CULTURAL
COMPANHIA DAS LETRAS
CONRAD EDITORA
CONTRAPONTO EDITORA
COSAC NAIFY
DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA DA USP
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
DISCURSO EDITORIAL
DUNA DUETO
EDIÇÕES PINAKOTHEKE
EDIÇÕES ROSARI
EDIPRO
EDITORA 34
EDITORA ALEPH
EDITORA ALFA-ÔMEGA
EDITORA BARCAROLLA
EDITORA BECA
EDITORA BIRUTA
EDITORA BLUCHER
EDITORA BRASILIENSE
EDITORA CENTAURO
EDITORA DA FIEO
EDITORA DA UFF
EDITORA DA UFRJ
EDITORA DA UNICAMP
EDITORA EDUSC
EDITORA ESTAÇÃO LIBERDADE
EDITORA EXPRESSÃO POPULAR
EDITORA FIOCRUZ
EDITORA FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO
EDITORA GARAMOND
EDITORA GIORDANO
EDITORA GIRASSOL
EDITORA GLOBO
EDITORA HEDRA
EDITORA HORIZONTE
EDITORA HUCITEC
EDITORA ÍBIS
EDITORA ILUMINURAS
EDITORA IMAGINÁRIO
EDITORA INSTITUTO PAULO FREIRE
EDITORA LANDSCAPE
EDITORA NARRATIVA UM
EDITORA NOVA ALEXANDRIA
EDITORA PAPAGAIO
EDITORA PEIRÓPOLIS
EDITORA PERSPECTIVA
EDITORA SUNDERMANN
EDITORA TERCEIRO NOME
EDITORA TYKHÉ
EDITORA UEPG
EDITORA UFMG
EDITORA UFPR
EDITORA UNESP
EDITORA UNIFESP
EDITORA VEREDAS
EDITORA WMF
EDUEL - EDITORA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA
EDUEM - EDITORA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ
EDUERJ - EDITORA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO
EDUFU - EDITORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
EDUSP - EDITORA DA UNIVERSIDADE DE SP
ESCRITURAS EDITORA
FONDO DE CULTURA ECONOMICA
GLOBAL E GAIA EDITORA
GRUPO ÁTOMO & ALÍNEA
HUMANITAS - FFLCH USP
IEA - USP
IEB - INSTITUTO DE ESTUDOS BRASILEIROS
IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO DE SP
INSTITUTO MOREIRA SALES
INSTITUTO PIAGET
LANDY EDITORA
LAZULI EDITORA
LEITURA MÉDICA
LÍNGUA GERAL
LPM
MANATI PRODUÇÕES EDITORIAIS
MARTINS MARTINS FONTES EDITORA
MAUAD EDITORA
MUSA EDITORA
MUSEU PAULISTA
NANKIN EDITORIAL
NOVA FRONTEIRA
ODYSSEUS EDITORA
OFICINA DE TEXTOS
OURO SOBRE AZUL
PALAS ATHENA EDITORA
PALLAS EDITORA
PANDAS BOOKS
PAPIRUS EDITORA
PAULINAS EDITORA
PAULUS
PAZ E TERRA
PUBLIFOLHA
REVISTA USP / CCS
ROMANO GUERRA EDITORA
SÁ EDITORA
TASCHEN
TERRA VIRGEM EDITORA
VIA LETTERA EDITORA
VIEIRA & LENT
XAMÃ EDITORA
NOS VEMOS LÁ!!!
Lançamento do Livro ANTONIO MENESES- ARQUITETURA DA EMOÇÃO
Em “Arquitetura da Emoção”, um dos mais importantes músicos brasileiros fala aos jornalistas João Luiz Sampaio e Luciana Medeiros sobre sua vida pessoal e carreira
“Mas João Gerônimo tinha planos para os filhos. Depois de anos observando a rotina da Sinfônica do Municipal do Rio, percebeu que o problema não era encontrar instrumentistas para a seção de metais, que na época a grande quantidade de bandas espalhadas pelo país conseguia abastecer. As orquestras brasileiras precisavam era de instrumentistas de cordas – a maioria era contratada fora do país. E foi assim que, quando Antonio completou 10 anos, em agosto de 1967, recebeu do pai o violoncelo, sem consulta ou explicação. – Meu pai me disse que aquele seria meu instrumento, e que já tinha uma professora acertada para me dar as primeiras aulas.” Trecho de Arquitetura da Emoção
Construído a partir de quase sessenta horas de entrevistas com o violoncelista brasileiro Antonio Meneses, o livro “Arquitetura da Emoção” está dividido em duas partes. Na primeira, acompanhamos a narrativa biográfica do menino pernambucano que se muda com a família para o Rio, onde tem seus primeiros contatos com o violoncelo e de onde partiria, sozinho, aos 16 anos, para a Europa, tornando-se um dos principais intérpretes de sua geração. As histórias de dedicação, estudo, dificuldades e ousadia são pontuadas por casos bem humorados e lembranças carinhosas e divertidas. Já na segunda parte, o violoncelista discute questões que o mobilizam: a relação entre técnica e inspiração, a redescoberta do repertório, o ato de gravar, a atividade como professor, a busca de novos públicos, as parcerias com outros músicos.
As duas partes, porém, não devem ser vistas de maneira isolada. Como apontam os autores, a arte de Meneses é aquela que busca o equilíbrio entre a voz do intérprete, suas experiências pessoais, e a lógica própria, a arquitetura da música que ele interpreta. É no diálogo entre esses elementos, portanto, tão fundamental quanto difícil de obter, que é possível vislumbrar os caminhos do músico. Assim, o livro se propõe a ser esse retrato de um artista em transformação. Ao longo de suas páginas, encontramos um Meneses que, ao olhar em direção ao passado, esboça uma ideia de futuro, de nova relação com a música e o instrumento. Afinal, lembram os autores, o ser humano, em sua memória, desafio o tempo. Passado, presente e futuro não podem ser compreendidos à parte. “É, afinal, nas frestas entre eles que vive o artista. E o homem.”
Os autores
João Luiz Sampaio é jornalista, repórter da área de música do Caderno 2 e editor-assistente do suplemento Sabático, do jornal O Estado de S. Paulo; autor de Ópera à Brasileira e Prêmio Carlos Gomes: Uma Retrospectiva, publicados pela Algol Editora. Luciana Medeiros é jornalista, carioca, trabalhou na Rádio JB, Rádio MEC e O Globo, entre outros veículos de comunicação; é assessora de imprensa da área cultural com ênfase em música clássica e ópera.
Lançamento em São Paulo
Dia 27/10- 19h – local LIVRARIA CULTURA - CONJUNTO NACIONAL
Av. Paulista, 2073 - Bela Vista - São Paulo - SP
Tel.: (11) 3170-4033
Lançamento – Rio de Janeiro
Dia 31/10 – 17h
Local: Livraria da Travessa -Shopping Leblon
Av Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A
Tel.: (21) 3138-9600
Antonio Meneses: Arquitetura da Emoção
Autores: João Luiz Sampaio e Luciana Medeiros
Ficha técnica:
224 págs. em pólen soft 80 g/m2 1x1 cores
32 págs. de imagens 4x4 cores
formato: 15 x 23 cm
ISBN: 978-85-60187-26-3
Livro + CD
CONFIRA O VÍDEO DE LANÇAMENTO
“Mas João Gerônimo tinha planos para os filhos. Depois de anos observando a rotina da Sinfônica do Municipal do Rio, percebeu que o problema não era encontrar instrumentistas para a seção de metais, que na época a grande quantidade de bandas espalhadas pelo país conseguia abastecer. As orquestras brasileiras precisavam era de instrumentistas de cordas – a maioria era contratada fora do país. E foi assim que, quando Antonio completou 10 anos, em agosto de 1967, recebeu do pai o violoncelo, sem consulta ou explicação. – Meu pai me disse que aquele seria meu instrumento, e que já tinha uma professora acertada para me dar as primeiras aulas.” Trecho de Arquitetura da Emoção
Construído a partir de quase sessenta horas de entrevistas com o violoncelista brasileiro Antonio Meneses, o livro “Arquitetura da Emoção” está dividido em duas partes. Na primeira, acompanhamos a narrativa biográfica do menino pernambucano que se muda com a família para o Rio, onde tem seus primeiros contatos com o violoncelo e de onde partiria, sozinho, aos 16 anos, para a Europa, tornando-se um dos principais intérpretes de sua geração. As histórias de dedicação, estudo, dificuldades e ousadia são pontuadas por casos bem humorados e lembranças carinhosas e divertidas. Já na segunda parte, o violoncelista discute questões que o mobilizam: a relação entre técnica e inspiração, a redescoberta do repertório, o ato de gravar, a atividade como professor, a busca de novos públicos, as parcerias com outros músicos.
As duas partes, porém, não devem ser vistas de maneira isolada. Como apontam os autores, a arte de Meneses é aquela que busca o equilíbrio entre a voz do intérprete, suas experiências pessoais, e a lógica própria, a arquitetura da música que ele interpreta. É no diálogo entre esses elementos, portanto, tão fundamental quanto difícil de obter, que é possível vislumbrar os caminhos do músico. Assim, o livro se propõe a ser esse retrato de um artista em transformação. Ao longo de suas páginas, encontramos um Meneses que, ao olhar em direção ao passado, esboça uma ideia de futuro, de nova relação com a música e o instrumento. Afinal, lembram os autores, o ser humano, em sua memória, desafio o tempo. Passado, presente e futuro não podem ser compreendidos à parte. “É, afinal, nas frestas entre eles que vive o artista. E o homem.”
Os autores
João Luiz Sampaio é jornalista, repórter da área de música do Caderno 2 e editor-assistente do suplemento Sabático, do jornal O Estado de S. Paulo; autor de Ópera à Brasileira e Prêmio Carlos Gomes: Uma Retrospectiva, publicados pela Algol Editora. Luciana Medeiros é jornalista, carioca, trabalhou na Rádio JB, Rádio MEC e O Globo, entre outros veículos de comunicação; é assessora de imprensa da área cultural com ênfase em música clássica e ópera.
Lançamento em São Paulo
Dia 27/10- 19h – local LIVRARIA CULTURA - CONJUNTO NACIONAL
Av. Paulista, 2073 - Bela Vista - São Paulo - SP
Tel.: (11) 3170-4033
Lançamento – Rio de Janeiro
Dia 31/10 – 17h
Local: Livraria da Travessa -Shopping Leblon
Av Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A
Tel.: (21) 3138-9600
Antonio Meneses: Arquitetura da Emoção
Autores: João Luiz Sampaio e Luciana Medeiros
Ficha técnica:
224 págs. em pólen soft 80 g/m2 1x1 cores
32 págs. de imagens 4x4 cores
formato: 15 x 23 cm
ISBN: 978-85-60187-26-3
Livro + CD
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Violante e o consumo do século XXI
Violante e o consumo do século XXI – Uma breve observação sobre o conto de Proust.
Quanto um tema que serve de enredo para a história de uma aristocrata austríaca nos primórdios do século XX pode ser relevante para o pobre consumidor emergente do século XXI? E qual é a relação possível de um velho preceptor de uma donzela na Estíria e as lágrimas de um jovem niilista que não teme descrever o que pensa?
A história se passa próximo de Salzburgo na Áustria, numa região conhecida pelos belos campos e bosques intermináveis. Nesse cenário que mais parece as ricas paisagens impressionistas de Claude Monet, Marcel Proust ( 1871-1922) descreve um de seus primeiros contos, intitulado Violante ou a Mundanidade¹.
Violante é herdeira de uma rica e extensa propriedade. Seus pais morrem quando ainda é apenas uma adolescente. Na verdade seu pai havia morrido há mais tempo, durante um acidente de caça. Acidente igualmente parecido que acabará por levar sua mãe também, anos mais tarde. Quase todo tempo a menina fica na presença de seu preceptor, Augustin, um amável senhor que detinha um conhecimento de vida muito acima dos que o julgavam pelos seus trajes de criado. Ela fora criada distante da civilização e assim pode aprender a ouvir e tocar coisas visíveis e às vezes invisíveis aos olhos mundanos. Isso mesmo, Violante era um menina pura.
Tal pureza foi-lhe cortante quando ao conhecer um jovem da cidade, e ouvir ousadas investidas deste rapaz, recusou-se a beijá-lo e prosseguiu sua vida campina. Mas este fato mudaria a vida da garota para sempre. Com o passar dos anos começou a acreditar que não se casaria, caso não tomasse uma atitude drástica: a de se mudar para a Cidade.
Augustin até que tentou persuadi-la para que não fosse com argumentos mais que nobres. Afirmava que depois do contato com as “misérias” humanas que habitavam o coração dos cosmopolitas ela jamais conseguiria ter a pureza que lhe era tão peculiar por ser, desde a infância, parte da natureza e toda sua simplicidade terrena. Mas, Violante estava decidida e se mudou. Casou-se com um homem muito rico, alinhou sua beleza natural e jovial com belas roupas e jóias. Tudo impressionava muito em Violante e assim, era muito admirada no meio em que vivia. A camponesa, apesar de jamais ter sido plebéia, tornara-se uma importante mulher a qual todos convidavam para festas, encontros, chás e outras puerilidades.
O velho Augustín, que por muitas vezes tentou convencer sua senhora voltar para a Estíria, acreditava que um dia, quando ela se cansasse de tudo, ela voltaria.
“não vos apoieis no junco que o vento agita e não depositeis nele vossa confiança pois toda carne é como a relva , e sua glória passa como a flor do campo”
Bem, resumindo o conto, após tantas festas, compras e noites mal-dormidas, o tempo passou; e agora, as festas já não eram mais constantes, os convites já eram mais raros e a beleza da pele fina saia de cena para dar espaço às marcas da vida. Violante, que tinha em seu sangue a vivência jamais corrompida de uma “raiz do campo”, vivia hoje apenas no estado de flor, que a cada inverno se torna ectoplasmas. Como era de se esperar ela cansou, e pedia com frequência ao marido que ambos fossem embora para Estíria. O bom marido sempre concordara com a escolha de sua esposa, mas era ela quem sempre adiava a viagem, com diversas desculpas.
Violante nunca voltou ao campo, morreu velha e muito infeliz. A moribunda figura que atendia por Violante nos seus últimos dias de vida, em nada lembrava a doce e alegre menina que corria nos campos, tocava piano e cantava sozinha nos jardins de seu paraíso na infância.
O Conto termina com uma observação do autor, sobre as expectativas de Augustin, que nos faz refletir acerca dos valores que consideramos verdadeiramente “valorosos” em nossa vida e , o grande Proust, na minha opinião, mata a grande charada de nossa incapacidade de mudança que nos concerne , a cada dia, a um calabouço mais fundo em nossa triste existência consumista.
(...) Augustin contara com o fastio. Mas não contara com uma força que, se alimenta de inicio pela vaidade, vence o fastio, o desprezo, o próprio tédio: O hábito.
Esse é o gatilho que corrompe a todos os cidadãos no mundo onde somos imagens. Não a imagem natural, que alguns atribuem sua autoria divina, mas sim a imagem hipotética daquilo que somos através do que mostramos ter. O hábito nos tornou comuns. O hábito nos tornou semelhantes. Somos todos semelhantes perante nossos desejos de consumo. O problema é que não somos nada semelhantes perante nosso poder de consumo. E é nesse momento, que o pobre consumidor do século XXI, se vê numa pequena ilha habitada por milhões de pessoas enquanto poucos desfrutam do espaço e dos prazeres de um imenso continente.
Talvez a saída esteja no desejo de retornar ao campo. No campo que existe dentro de nós.
A pureza de quando não sabíamos comprar, nem vender. Muito menos exibir, ostentar, cobiçar bens que não existem. Os bens que Violante conquistou nenhum valor tinham, pois toda a riqueza fora desprezada em nome de um hábito que alimentava uma necessidade parva e medíocre.
Sinto-me como Augustin, que esperava uma mudança por conta das percepções dos erros, mas que não contava que o enraizamento de atos sem nenhum sentido presente, fosse capaz de emergir um ser humano numa sórdida lama de incapacidade e covardia.
Os ricos morrem de tédio por consumismo irracional, os pobres morrem de tédio por desejarem um consumismo irracional. E qual é a razão de ser um balaustre do consumo numa promoção, explicitamente, reveladora? Nenhuma. Apenas a certeza de que “morreremos cheios de uma vida tão vazia”².
Só nos damos conta de que foi um erro tanto exibicionismo de “imagem” quando ela nos deixa e é subitamente, ou lentamente, substituída por nossa verdadeira face, nossos verdadeiros medos e , assim, afasta aqueles que nunca estiveram ao nosso lado, abrindo as portas para uma ruidosa solidão que grita em nossa alma a amargura de termos desperdiçado tanto tempo com nada. Esse grito se torna ainda mais retumbante quando notamos que tal destino nem fora nossa escolha na juventude, mas sim, uma insistente promoção de vulgaridades e imediatismos que nos encantara e mais tarde nos condenaria a morte com um pequeno coração ainda pulsante.
¹ VIOLANTE ou a MUNDANIDADE – Marcel Proust –tradução de Dorotheé de Bruchard.
² trecho da canção Muros e Grades – Humberto Gessinger.
Quanto um tema que serve de enredo para a história de uma aristocrata austríaca nos primórdios do século XX pode ser relevante para o pobre consumidor emergente do século XXI? E qual é a relação possível de um velho preceptor de uma donzela na Estíria e as lágrimas de um jovem niilista que não teme descrever o que pensa?
A história se passa próximo de Salzburgo na Áustria, numa região conhecida pelos belos campos e bosques intermináveis. Nesse cenário que mais parece as ricas paisagens impressionistas de Claude Monet, Marcel Proust ( 1871-1922) descreve um de seus primeiros contos, intitulado Violante ou a Mundanidade¹.
Violante é herdeira de uma rica e extensa propriedade. Seus pais morrem quando ainda é apenas uma adolescente. Na verdade seu pai havia morrido há mais tempo, durante um acidente de caça. Acidente igualmente parecido que acabará por levar sua mãe também, anos mais tarde. Quase todo tempo a menina fica na presença de seu preceptor, Augustin, um amável senhor que detinha um conhecimento de vida muito acima dos que o julgavam pelos seus trajes de criado. Ela fora criada distante da civilização e assim pode aprender a ouvir e tocar coisas visíveis e às vezes invisíveis aos olhos mundanos. Isso mesmo, Violante era um menina pura.
Tal pureza foi-lhe cortante quando ao conhecer um jovem da cidade, e ouvir ousadas investidas deste rapaz, recusou-se a beijá-lo e prosseguiu sua vida campina. Mas este fato mudaria a vida da garota para sempre. Com o passar dos anos começou a acreditar que não se casaria, caso não tomasse uma atitude drástica: a de se mudar para a Cidade.
Augustin até que tentou persuadi-la para que não fosse com argumentos mais que nobres. Afirmava que depois do contato com as “misérias” humanas que habitavam o coração dos cosmopolitas ela jamais conseguiria ter a pureza que lhe era tão peculiar por ser, desde a infância, parte da natureza e toda sua simplicidade terrena. Mas, Violante estava decidida e se mudou. Casou-se com um homem muito rico, alinhou sua beleza natural e jovial com belas roupas e jóias. Tudo impressionava muito em Violante e assim, era muito admirada no meio em que vivia. A camponesa, apesar de jamais ter sido plebéia, tornara-se uma importante mulher a qual todos convidavam para festas, encontros, chás e outras puerilidades.
O velho Augustín, que por muitas vezes tentou convencer sua senhora voltar para a Estíria, acreditava que um dia, quando ela se cansasse de tudo, ela voltaria.
“não vos apoieis no junco que o vento agita e não depositeis nele vossa confiança pois toda carne é como a relva , e sua glória passa como a flor do campo”
Bem, resumindo o conto, após tantas festas, compras e noites mal-dormidas, o tempo passou; e agora, as festas já não eram mais constantes, os convites já eram mais raros e a beleza da pele fina saia de cena para dar espaço às marcas da vida. Violante, que tinha em seu sangue a vivência jamais corrompida de uma “raiz do campo”, vivia hoje apenas no estado de flor, que a cada inverno se torna ectoplasmas. Como era de se esperar ela cansou, e pedia com frequência ao marido que ambos fossem embora para Estíria. O bom marido sempre concordara com a escolha de sua esposa, mas era ela quem sempre adiava a viagem, com diversas desculpas.
Violante nunca voltou ao campo, morreu velha e muito infeliz. A moribunda figura que atendia por Violante nos seus últimos dias de vida, em nada lembrava a doce e alegre menina que corria nos campos, tocava piano e cantava sozinha nos jardins de seu paraíso na infância.
O Conto termina com uma observação do autor, sobre as expectativas de Augustin, que nos faz refletir acerca dos valores que consideramos verdadeiramente “valorosos” em nossa vida e , o grande Proust, na minha opinião, mata a grande charada de nossa incapacidade de mudança que nos concerne , a cada dia, a um calabouço mais fundo em nossa triste existência consumista.
(...) Augustin contara com o fastio. Mas não contara com uma força que, se alimenta de inicio pela vaidade, vence o fastio, o desprezo, o próprio tédio: O hábito.
Esse é o gatilho que corrompe a todos os cidadãos no mundo onde somos imagens. Não a imagem natural, que alguns atribuem sua autoria divina, mas sim a imagem hipotética daquilo que somos através do que mostramos ter. O hábito nos tornou comuns. O hábito nos tornou semelhantes. Somos todos semelhantes perante nossos desejos de consumo. O problema é que não somos nada semelhantes perante nosso poder de consumo. E é nesse momento, que o pobre consumidor do século XXI, se vê numa pequena ilha habitada por milhões de pessoas enquanto poucos desfrutam do espaço e dos prazeres de um imenso continente.
Talvez a saída esteja no desejo de retornar ao campo. No campo que existe dentro de nós.
A pureza de quando não sabíamos comprar, nem vender. Muito menos exibir, ostentar, cobiçar bens que não existem. Os bens que Violante conquistou nenhum valor tinham, pois toda a riqueza fora desprezada em nome de um hábito que alimentava uma necessidade parva e medíocre.
Sinto-me como Augustin, que esperava uma mudança por conta das percepções dos erros, mas que não contava que o enraizamento de atos sem nenhum sentido presente, fosse capaz de emergir um ser humano numa sórdida lama de incapacidade e covardia.
Os ricos morrem de tédio por consumismo irracional, os pobres morrem de tédio por desejarem um consumismo irracional. E qual é a razão de ser um balaustre do consumo numa promoção, explicitamente, reveladora? Nenhuma. Apenas a certeza de que “morreremos cheios de uma vida tão vazia”².
Só nos damos conta de que foi um erro tanto exibicionismo de “imagem” quando ela nos deixa e é subitamente, ou lentamente, substituída por nossa verdadeira face, nossos verdadeiros medos e , assim, afasta aqueles que nunca estiveram ao nosso lado, abrindo as portas para uma ruidosa solidão que grita em nossa alma a amargura de termos desperdiçado tanto tempo com nada. Esse grito se torna ainda mais retumbante quando notamos que tal destino nem fora nossa escolha na juventude, mas sim, uma insistente promoção de vulgaridades e imediatismos que nos encantara e mais tarde nos condenaria a morte com um pequeno coração ainda pulsante.
¹ VIOLANTE ou a MUNDANIDADE – Marcel Proust –tradução de Dorotheé de Bruchard.
² trecho da canção Muros e Grades – Humberto Gessinger.
Curso de Leitura e Análise literária
O programa Escola da Família da escola Leda Felice Ferreira ( Jd Paraíso- Itapecerica da Serra) e os grandes nomes da literatura convidam a todos para o curso de Leitura e Análise literária que começará no dia 12/09/2010- Domingo – 10h30

As inscrições serão realizadas pessoalmente, com o professor Afonso até o dia 11/09 ou até 30 min. antes do inicio da aula. Ou através do e-mail:
frutovermelho@gmail.com
Visite Nosso Blog: http://letrasleda.blogspot.com/
As cartas de Rita e Macabéa.
Instigando a investigação da crença.
A cartomante não sorriu; disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra vez as cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas descuradas; baralhou-as bem, transpôs os maços, uma, duas, três vezes; depois começou a estendê-las. Camilo tinha os olhos nela, curioso e ansioso.
— As cartas dizem-me...
( Trecho de A cartomante- Machado de Assis)
“Madama Carlota havia acertado tudo. (...) Até para atravessar a rua ela era outra pessoa. Uma pessoa grávida de futuro. Sentia em si uma esperança tão violenta como jamais sentira tamanho desespero. Se ela não era mais ela mesma, isso significava uma perda que valia por um ganho. Assim como havia sentença de morte, a cartomante lhe decretara sentença de vida. Tudo de repente era muito e muito e tão amplo que ela sentiu vontade de chorar. Mas não chorou: seus olhos faiscavam como o sol que morria. Então ao dar o passo de descida da calçada para atravessar a rua, o Destino (explosão) sussurrou veloz e guloso: é agora, é já, chegou minha vez! E enorme como um transatlântico o Mercedes amarelo pegou-a (...)”
(Trecho de A Hora da Estrela- Clarice Lispector).
Pensar os estreitos caminhos entre personagens, ambientes, tramas e desfechos de dois cânones da nossa língua; A Hora da Estrela, de Clarice Lispector e o conto A Cartomante do grande Machado de Assis, é o mesmo que mergulhar no vasto universo da interpelação dos valores e crenças vividas por ambos.
Mais do que uma coincidência, as obras promovem um embate ideológico no que se refere à questão do elo que une todas as classes e crenças, o destino. Uma observação mais dirigida, para compreender esta dialética, é observar de forma mais precisa um personagem incomum, nas duas obras, a conduta da advinha.
Seria um equivoco de interpretações? A imagem de anti-heróis tão bem construída por ambos os autores é a discrepância de uma alma suburbana e irresponsável?
A tragédia presente nos desfechos de ambas as histórias nos reflete uma intencionalidade discutível no que se refere às apreciações do tema. Podemos estabelecer diretrizes comparativas que denotem, de forma objetiva, os discursos ideológicos dos autores mencionados, a fim de promover um olhar mais crítico das cenas- ápices de cada um.
A introspecção de Clarice e a crítica aos costumes de Machado encontram-se em um ação, insana ou não, de aglutinar os sonhos de seus personagens em pitorescas atitudes marginais. Pois tanto no romance de Clarice como no conto de Machado, a prática da cartomancia é ilegal, censurável e vinculada a outras atitudes ilícitas como prostituição adultério; reforçadas epifanicamente com linhas de expressões figuradas.
Lembremos de Erich Auerbach quando este afirmou: Só em virtude da relação mais geral, isto é, só porque somos seres humanos, ou seja, sujeitos ao destino e à paixão, sentimentos, temor e compaixão (Auerbach 1946). A nata desta mensagem, se conduzida aos atos de Rita, Camilo e Macabea, pode ser interpretada como, um destino inevitável, que na verdade aparece na obra como uma “escolha”. A escolha pela felicidade no amor, de Camilo e Rita, ou simplesmente na aceitação, após a descoberta da verdade sobre si mesma, da pobre e sonhadora Macabea.
Contudo, nenhum dos desfechos justifica o ato da Cartomante que fez de seu trabalho o estopim de um medo enjaulado em sua penumbra de forma que esta aparição fosse de acordo com as metáforas utilizadas, realizada com a mais perfumada e bela das imagens: A mentira.
Mentia ou ignorava? Qual era o verdadeiro ato destas mulheres que viviam da simplicidade alheia?
Pensemos no conto “A Cartomante” e no romance a “Hora da Estrela”, ambos, cânones acadêmicos de nossa literatura, escritos em épocas distintas, por autores cujas características são extremamentes singulares, exceto, da escolha do portal para o desfecho das suas trágicas histórias: a crença na arte divinatória.
A Cartomante, conto do final do século XIX utiliza-se dessa crença para decidir o destino de um casal burguês apaixonado, bem- sucedidos financeiramente, viventes em sua própria região e com apenas uma dúvida: poderiam ou não serem felizes após o adultério, obedecendo a corações que sobrepujavam os valores de fidelidade e caráter socialmente apreciados na época.
Já em a “Hora da Estrela”, romance de 1977, a pobre Macabéa, imigrante, sem instrução e apaixonada, procura conselhos da cartomancia em busca de uma esperança que lhe dê forças para enfrentar os dias difíceis, comuns em sua fatídica existência.
A relação entre o papel fundamental da cartomante no desfecho dessas duas histórias é o corpus base de análise desta perspectiva sugerida. Sob a ótica da construção verossímil e o discurso de controle que ambos, os autores trabalham em suas obras.
O que intriga e instiga esta pesquisa é a semelhança narrativa que ambas,as histórias, no dipolo clássico “felicidade e tragédia” possuem como características sinestésicas de seus protagonistas. Deve-se buscar com esta análise uma maior compreensão dos textos e concomitantes afirmações que enriqueçam ainda mais, a tão bem constituída, percepção crítica sobre estas obras.
Transportar a crendice popular para o universo da literatura é como afirma Eric Auerbach em seu antológico trabalho “Mimesis”: “A maneira de dar vida a literatura” (Auerbach 1946). A história da humanidade está envolta a todo tipo de crença que reza a sorte e o destino de civilizações inteiras ou apenas de pessoas comuns.
Macabéa e Rita, cada qual com sua necessidade, encontram na dúvida das possíveis interpretações que atendam seus interesses, dada a tragédia que se aproxima de cada uma. Desfecho trágico, perceptível ou não, são alimentados pelos autores como alucinações produzidas pelo medo e pela ansiedade. Sentimentos que cegam as protagonistas e as conduzem ao além. São inseridos nestes contextos o que Walter Benjamin chamou em seu ensaio A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica (BENJAMIM 1955) de valor de culto de obra e valor de exposição, na reconstituição da história na arte: A produção artística começa com imagem ao serviço da magia. O que importa, nessas imagens, é que elas existem, não que sejam vistas.
Pensar a tragédia como produto da crença, mística ou não, é produzir um efeito desafiador para o leitor destas obras. Esse caminho levará o leitor destas obras ao idear de um produto que transcenda o pensamento machadiano ou o de Lispector, superando a búsitis natural deste tipo de reflexão e avançado com solidez sobre o prisma do conhecimento.
A cartomante não sorriu; disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra vez as cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas descuradas; baralhou-as bem, transpôs os maços, uma, duas, três vezes; depois começou a estendê-las. Camilo tinha os olhos nela, curioso e ansioso.
— As cartas dizem-me...
( Trecho de A cartomante- Machado de Assis)
“Madama Carlota havia acertado tudo. (...) Até para atravessar a rua ela era outra pessoa. Uma pessoa grávida de futuro. Sentia em si uma esperança tão violenta como jamais sentira tamanho desespero. Se ela não era mais ela mesma, isso significava uma perda que valia por um ganho. Assim como havia sentença de morte, a cartomante lhe decretara sentença de vida. Tudo de repente era muito e muito e tão amplo que ela sentiu vontade de chorar. Mas não chorou: seus olhos faiscavam como o sol que morria. Então ao dar o passo de descida da calçada para atravessar a rua, o Destino (explosão) sussurrou veloz e guloso: é agora, é já, chegou minha vez! E enorme como um transatlântico o Mercedes amarelo pegou-a (...)”
(Trecho de A Hora da Estrela- Clarice Lispector).
Pensar os estreitos caminhos entre personagens, ambientes, tramas e desfechos de dois cânones da nossa língua; A Hora da Estrela, de Clarice Lispector e o conto A Cartomante do grande Machado de Assis, é o mesmo que mergulhar no vasto universo da interpelação dos valores e crenças vividas por ambos.
Mais do que uma coincidência, as obras promovem um embate ideológico no que se refere à questão do elo que une todas as classes e crenças, o destino. Uma observação mais dirigida, para compreender esta dialética, é observar de forma mais precisa um personagem incomum, nas duas obras, a conduta da advinha.
Seria um equivoco de interpretações? A imagem de anti-heróis tão bem construída por ambos os autores é a discrepância de uma alma suburbana e irresponsável?
A tragédia presente nos desfechos de ambas as histórias nos reflete uma intencionalidade discutível no que se refere às apreciações do tema. Podemos estabelecer diretrizes comparativas que denotem, de forma objetiva, os discursos ideológicos dos autores mencionados, a fim de promover um olhar mais crítico das cenas- ápices de cada um.
A introspecção de Clarice e a crítica aos costumes de Machado encontram-se em um ação, insana ou não, de aglutinar os sonhos de seus personagens em pitorescas atitudes marginais. Pois tanto no romance de Clarice como no conto de Machado, a prática da cartomancia é ilegal, censurável e vinculada a outras atitudes ilícitas como prostituição adultério; reforçadas epifanicamente com linhas de expressões figuradas.
Lembremos de Erich Auerbach quando este afirmou: Só em virtude da relação mais geral, isto é, só porque somos seres humanos, ou seja, sujeitos ao destino e à paixão, sentimentos, temor e compaixão (Auerbach 1946). A nata desta mensagem, se conduzida aos atos de Rita, Camilo e Macabea, pode ser interpretada como, um destino inevitável, que na verdade aparece na obra como uma “escolha”. A escolha pela felicidade no amor, de Camilo e Rita, ou simplesmente na aceitação, após a descoberta da verdade sobre si mesma, da pobre e sonhadora Macabea.
Contudo, nenhum dos desfechos justifica o ato da Cartomante que fez de seu trabalho o estopim de um medo enjaulado em sua penumbra de forma que esta aparição fosse de acordo com as metáforas utilizadas, realizada com a mais perfumada e bela das imagens: A mentira.
Mentia ou ignorava? Qual era o verdadeiro ato destas mulheres que viviam da simplicidade alheia?
Pensemos no conto “A Cartomante” e no romance a “Hora da Estrela”, ambos, cânones acadêmicos de nossa literatura, escritos em épocas distintas, por autores cujas características são extremamentes singulares, exceto, da escolha do portal para o desfecho das suas trágicas histórias: a crença na arte divinatória.
A Cartomante, conto do final do século XIX utiliza-se dessa crença para decidir o destino de um casal burguês apaixonado, bem- sucedidos financeiramente, viventes em sua própria região e com apenas uma dúvida: poderiam ou não serem felizes após o adultério, obedecendo a corações que sobrepujavam os valores de fidelidade e caráter socialmente apreciados na época.
Já em a “Hora da Estrela”, romance de 1977, a pobre Macabéa, imigrante, sem instrução e apaixonada, procura conselhos da cartomancia em busca de uma esperança que lhe dê forças para enfrentar os dias difíceis, comuns em sua fatídica existência.
A relação entre o papel fundamental da cartomante no desfecho dessas duas histórias é o corpus base de análise desta perspectiva sugerida. Sob a ótica da construção verossímil e o discurso de controle que ambos, os autores trabalham em suas obras.
O que intriga e instiga esta pesquisa é a semelhança narrativa que ambas,as histórias, no dipolo clássico “felicidade e tragédia” possuem como características sinestésicas de seus protagonistas. Deve-se buscar com esta análise uma maior compreensão dos textos e concomitantes afirmações que enriqueçam ainda mais, a tão bem constituída, percepção crítica sobre estas obras.
Transportar a crendice popular para o universo da literatura é como afirma Eric Auerbach em seu antológico trabalho “Mimesis”: “A maneira de dar vida a literatura” (Auerbach 1946). A história da humanidade está envolta a todo tipo de crença que reza a sorte e o destino de civilizações inteiras ou apenas de pessoas comuns.
Macabéa e Rita, cada qual com sua necessidade, encontram na dúvida das possíveis interpretações que atendam seus interesses, dada a tragédia que se aproxima de cada uma. Desfecho trágico, perceptível ou não, são alimentados pelos autores como alucinações produzidas pelo medo e pela ansiedade. Sentimentos que cegam as protagonistas e as conduzem ao além. São inseridos nestes contextos o que Walter Benjamin chamou em seu ensaio A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica (BENJAMIM 1955) de valor de culto de obra e valor de exposição, na reconstituição da história na arte: A produção artística começa com imagem ao serviço da magia. O que importa, nessas imagens, é que elas existem, não que sejam vistas.
Pensar a tragédia como produto da crença, mística ou não, é produzir um efeito desafiador para o leitor destas obras. Esse caminho levará o leitor destas obras ao idear de um produto que transcenda o pensamento machadiano ou o de Lispector, superando a búsitis natural deste tipo de reflexão e avançado com solidez sobre o prisma do conhecimento.
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