A ESCRITA COMO RESISTÊNCIA: O REGISTRO COMO SOBREVIDA EM LEITE DERRAMADO E TERRA SONÂMBULA




Artigo Publicado na Revista Versalete. 


RESUMO: Observaremos neste texto o caráter auxiliar da escrita na perpetuação da oralidade, dos registros culturais e das memórias nos romances Leite Derramado, de Chico Buarque de Hollanda (2009), e Terra Sonâmbula, de Mia Couto (1992). A escrita nos permite, nessas narrativas, identificar o desejo de se fazer ouvir no futuro que ambos os romances apresentam como elementos centrais de suas tramas, fazendo de um simples registro textual um verdadeiro ato de resistência aos “esquecimentos” do tempo. 

Palavras-chave: Mia Couto; Terra Sonâmbula; Chico Buarque; Leite Derramado; memória. 


ABSTRACT: In this text, we will observe the auxiliary character of writing in the perpetuation of orality, cultural records and memories in the novels Leite Derramado, by Chico Buarque de Hollanda (2009), and Terra Sonâmbula, by Mia Couto (1992). Writing allows us, in these narratives, to identify the desire to be heard in the future that both novels present as central elements of their plots, making a simple textual record a real act of resistance to the “forgetfulness” of time. Keywords: Mia Couto; Terra Sonâmbula; Chico Buarque; Leite Derramado; memory.


Leia o artigo na íntegra em: http://www.revistaversalete.ufpr.br/edicoes/vol8-15/7-CAMPOS.-Ari-Silva-Mascarenhas-de.-A-escrita-como-resistencia.pdf

Literaturas Africanas e Afro-brasileira ( Onde adquirir?)


Confira onde adquiri a obra Literaturas Africanas e Afro-Brasileira que desenvolvi junto à profª Dra Francieli Borges, com a coordenação da profª Dra Lúcia Regina Lucas da Rosa

Literaturas Africanas e Afro-brasileira provém de estudos realizados sobre as relações entre a literatura e a africanidade, valorizando questões referentes à negritude, à crioulização, à mestiçagem e à formação de professores. O título da disciplina já anuncia a diversidade cultural e identitária dos estudos aqui propostos: trata-se de “africanas” no plural porque são vários países africanos de língua portuguesa a serem estudados e, por outro lado, “afro-brasileira” remete apenas ao Brasil e, por isso, está escrita no singular. A partir da Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que inclui no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática história e cultura afro-brasileira, também o ensino na graduação, em curso de licenciatura, torna-se necessário. Não somente para atender a legislação, mas também para olharmos para nossas raízes e nossa cultura contemporânea faz-se necessário ampliarmos esses estudos. 






 

Disponível em: http://livrariavirtual.unilasalle.edu.br/ead/literaturas-africanas-e-afro-brasileira

Aquisição de linguagem escrita e oral ( Onde adquirir?)

 Já está disponível a versão ebook da obra Aquisição de linguagem oral e escrita, da editora Senac. 

O livro apresenta um percurso conciso pelas principais teorias acerca do processo de concepção da linguagem e pelas diferentes formas de aquisição. Dentre os temas abordados na obra, destacam-se os conceitos introdutórios da linguagem, as linhas gerais sobre os modelos de aquisição das linguagens escrita e oral, as abordagens construtivista e sociointeracionista, as teorias que inspiraram a confecção da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os processos de aquisição das linguagens na BNCC e as principais teorias da enunciação. O objetivo deste trabalho é oferecer ao leitor um instrumento de consulta e atividade que possa complementar seus estudos e prepará-lo para os inúmeros desafios que a aquisição de linguagem impõe aos educadores.

A obra impressa você pode comprar diretamente na editora Senac: https://www.editorasenacsp.com.br/


Já a versão ebook você encontra nos links abaixo





Livro disponível em: 

Amazon. com - https://www.amazon.com.br/Aquisi%C3%A7%C3%A3o-linguagem-escrita-S%C3%A9rie-Universit%C3%A1ria-ebook/dp/B09R9G1BXL/ref=monarch_sidesheet


Skeelo - https://skeelo.com/products/aquisicao-da-linguagem-escrita-e-oral

KOBO - https://www.kobo.com/br/pt/ebook/aquisicao-da-linguagem-escrita-e-oral?utm_campaign=detailpage&utm_medium=web&utm_source=FNACSpain

Barnes:  https://www.barnesandnoble.com/w/aquisi-o-da-linguagem-escrita-e-oral-ari-silva-mascarenhas-de-campos/1140934583

Disal:  https://livrodigital.disal.com.br/library/publication/aquisicao-da-linguagem-escrita-e-oral


Literatura contemporânea argentina - Um território a ser ocupado por nós.


A literatura argentina contemporânea refere-se à produção literária de escritores argentinos após a Segunda Guerra Mundial, aproximadamente desde a década de 1950 até os dias atuais. Durante este período, a literatura argentina passou por mudanças e experimentações significativas, com escritores explorando novos estilos e temas.

 Ainda que pouco conhecida pelos leitores brasileiro, essa literatura está recheada de características muito similares a nossa literatura, produzida nesse período. Além das peculiaridades que fazem dessa escola um modelo único no mundo. 

Dentre as principais caracteríticas dessa literatura estão a "experimentação com forma e estilo" -muitos escritores desse período estavam interessados ​​em ultrapassar os limites dos estilos narrativos tradicionais e explorar novas formas de expressão -; o "envolvimento com questões políticas e sociais" - uma obra politicamente ativa que aborda questões de poder, opressão e justiça social -; as questões de identidade - individualidade e existencialismo abordados em estilos narrativos não convencionais e perspectivas fragmentadas; -e o "realismo mágico" - prática narrativa que mistura o fantástico com o cotidiano.

 Dentre os principais nomes desse período, destaca-se:

Julio Cortázar (1914-1984) - um dos escritores mais inovadores e influentes do século XX, conhecido por seu estilo experimental e temas de vanguarda.

    Jorge Luis Borges (1899-1986) - famoso por seus contos que misturam elementos de fantasia, ficção científica e existencialismo. 

Silvina Ocampo (1903-1993) - prolífica escritora e poetisa, conhecida por suas histórias surreais e fantásticas. 

Adolfo Bioy Casares (1914-1999) - escritor e jornalista, mais conhecido por suas obras de ficção científica e fantasia. 

Manuel Puig (1932-1990) - escritor e dramaturgo, conhecido por seu estilo narrativo não convencional e pela exploração da sexualidade e da identidade.


Então, considere uma obra contemporânea argentina na sua próxima visita a uma biblioteca ou livraria. Tenho certeza de que irá se apaixonar. Depois coloque nos comentários como foi essa experiência. 





Capitu e Matilde: Notas de leitura de Chico Buarque e Machado de Assis.

 

A evidente comparação entre o estilo machadiano e a narrativa em primeira pessoa empregada por Chico Buarque no romance Leite Derramado é o ponto de partida para esta leitura, que visa expor semelhanças e influências diretas da personagem Capitu, Dom Casmurro, que o autor utiliza para a construção de sua Matilde.

A afirmação seminal deste artigo, apresentada no parágrafo anterior, baseia-se nos depoimentos do jornalista Heitor Ferraz que se manifestou publicamente, assim como outros, na página virtual do livro, mantida pela editora. Vejamos sua declaração antes de iniciarmos essa dissertação.

 

Ao ler o livro, é inevitável pensar no Machado de Assis de Dom Casmurro e de Memórias Póstumas de Brás Cubas - este último por conta do enredo em que aparentemente não acontece nada e nenhuma narrativa se estabelece como determinante. O diálogo eficiente com o maior escritor brasileiro dá a medida do triunfo literário que é este novo romance de Chico Buarque.” — Heitor Ferraz, Revista BRAVO!

 

 

Com base no depoimento acima vejamos algumas características comuns nos trabalhos de Machado de Assis (Memórias Póstumas de Brás cubas) e Chico Buarque (Leite Derramado).

 

Principiamos pela recorrente narração que reflete as lembranças de dois nostálgicos personagens. A “Alma” de Brás Cubas, agora desgarrada de um corpo em deterioração recorda momentos vividos desde a infância, incluindo a elaboração de diálogos, descrição precisa dos espaços, das percepções e dos julgamentos que o personagem fazia de seus atos e de outrem. Essas lembranças, embora disformes de seu caráter verossímil, são narradas numa seqüência lógica e ordenada, a fim de prestarem sustentação aos argumentos narrativos defendidos pelo personagem. Numa visão fúnebre, depressiva, mas sem perder o bom humor, Brás Cubas se lamenta por ter vivido uma história sem grandes feitos e cuja simples razão de nada haver conquistado seja o único motor dessa sua grande epopéia narrativa de fatos inócuos.  A maestria de Machado, que faz com que uma vida sem nenhum fato interessante, do ponto de vista dos romances de aventura, se torne numa inesquecível história sentimental de derrota perante a falta de conquistas dentro dos valores que compete uma sociedade burguesa, é o que promove sua obra ao estado de alicerce realista da literatura brasileira. Braz cubas era um homem de posses que nada conquistou e de herança só lhe restou um nome.

 

Pouco mais que um século se passou e eis que surge um tal de Eulálio Assumpção, no romance Leite Derramado, contemporâneo de Braz Cubas, mas que só viemos conhecer nas páginas de um romance realista do século XXI. Personagem excêntrico e, como ainda não desencarnou durante as narrações de sua memória, atribui suas lembranças desordenadas e às vezes confundidas com falsetes do presente ao seu centenário corpo efêmero. Esta narrativa, que tenta dar conta de um tempo bem maior do que o da vida de Eulálio, apresenta-se de maneira humanamente controvérsia, confusa, ofertando o caráter verossímil da maioria das lembranças humanas.

 

 

 

Características que representam o cotidiano, suas ansiedades, medos e objetivos, utilizadas na segunda metade do século XIX serão retomados no século XXI narradas por um centenário personagem que acompanhou esse longo período de transformação.

 

O personagem Eulálio é o próprio realismo às margens das transformações artísticas do século XX, que na experiência mutante do autor, derivada de suas diversas contribuições artísticas que vão do campo da música, passando pela dramaturgia e chegando à literatura, transformou-se no declínio dos valores patriarcais do Brasil.

Chico Buarque retoma em Leite Derramado a linearidade da narração machadiana com a fragmentação factual de Macunaíma, obra seminal de Mario de Andrade, e construiu , com estilo próximo da dramaturgia, uma espécie de romance-roteiro, pronto para ser encenado. Uma abrupta retomada da estética realista, em tempos da virtualidade textual que avança sobre a tendência de textos mais simples e enxutos, não apresenta como produto final , em se tratando de Leite Derramado,um abandono das funções sociais do realismo no século XIX.

 

A função da obra realista é sintetizar temas universais e reproduzir seus embates inevitáveis nos diversos campos da representação humana, como acontecera em Madame Bovary, Memórias Póstumas de Brás Cubas e outros “clássicos” desse período; assim sendo, Chico Buarque no momento em que a classe média sofre o seu maior achatamento desde sua aparição, consegue transcrever o drama deste fenômeno e os desafios sociais que os cidadãos da classe média, muitos herdeiros de abundantes lembranças capitalistas, vivenciam em seu presente. De acordo com o economista, Waldir Quadros¹, em entrevista concedida à folha de São Paulo no dia 28 de Abril de 2007 sobre a questão do achatamento da classe média, "ocupações precárias e mal remuneradas vão sendo aceitas como um mal menor [...], e cada vez mais os indivíduos e as famílias vão relaxando seus padrões morais na luta pela sobrevivência”. O que demonstra o fenômeno da migração da classe média para a pobre e rica, com algumas alterações econômicas significativas do ponto de vista do consumo. Vejamos no primeiro parágrafo de Leite Derramado a lembrança dos tempos idos quando os bens eram escassos para um filho de um diplomata brasileiro:

 

Quando eu sair daqui vamos nos casar na fazenda da minha feliz infância, lá na raiz da serra. (...) mas se você não gostar da raiz da serra por causa das pereças e dos insetos, ou da lonjura ou de outra coisa, poderíamos morar em botafogo, no casarão construído por meu pai. Ali há quartos enormes, banheiros de mármore com bidês, vários salões com espelhos venezianos, estátuas, pé-direito monumental e telhas de ardósia importadas da França.

 

 

 

Artigo continua no Medium.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    Poesia

Ah! Antes de ser escrita,

                                  é sentida, 

                                             pensada,

                                                        e .......  Tinta.

                                                                             Numa folha branca, 

                                                        extinta…...é

                                            elaborada,

                                 sincera, 

transparente e vera, Ah!

                                                  Poesia


Túlio Demian - 2022


Matrix e o modernismo ( correlações interpretativas)


A cena do filme Matrix (1999), em que a personagem Morpheu apresenta as pílulas ao protagonista Neo, se desenrola com a chegada desse segundo a uma sala com um certo ar obscuro e misterioso, tal como o que se revelará naquele recinto. Em seguida, Morpheu revela a Neo que reconhece a sua surpresa e sua curiosidade em relação ao que está acontecendo. Para ilustrar melhor o acontecimento, Morpheu usa como metáfora o enredo de “Alice no País das Maravilhas” (Lewis Carrol, 1865), sobretudo no trecho em que a garota, ainda atordoada de um sono profundo, se depara com um coelho com um relógio na mão pedindo para que ela o siga. Seguir o coelho aqui é se permitir adentrar no mundo das revelações.

Então, Morpheu  faz uma breve apresentação parcial do que é a Matrix, destacando que toda a realidade que permeia a vida que Neo conhece é na verdade um espectro falso, criado para escravizar e aprisionar aqueles que nela vivem. Na sequência da cena, eis a oferta de libertação. Morpheu oferece, numa clara alusão ao “livre arbítrio” cristão, a opção de Neo continuar vivendo a ilusão projetada na Matrix, tomando a pílula azul, ou se libertar e vivenciar a realidade em uma ótica mais profunda e, portanto, mais real. Para isso, ele precisa tomar a pílula vermelha. Neo escolhe a segunda opção, mas não sem antes ser alertado por Morpheu de que essa escolha não tem volta. A cena se encerra com Morpheu saindo do recinto e, tal como o coelho de Alice, chamando Neo para que o acompanhasse no universo que estava na iminência de se revelar.


Para além das inúmeras referências cristãs que a cena traz, como a já mencionada citação do “livre arbítrio”, a presença de “Trinity” ( a “Santíssima Trindade”) e das cores da pílula (vermelho – a mesma cor da fruta do conhecimento em Gênesis), a cena pode ser interpretada em outras esferas da vida humana, sobretudo no que se refere a arte.

O mundo Moderno, que se instaurou com a queda das nobrezas europeias e a ascensão burguesa no final do século XVIII, foi concebido por intermédio de uma série de pensamentos questionadores que culminaram na compreensão de que a Liberdade e a igualdade eram direitos de todos os seres humanos. Essa série de pensamentos que permeou tanto campos filosóficos, religiosos e até artísticos foi denominada de Iluminismo.


O pensamento iluminista sempre valorizou a expressão artística como forma de compreender a realidade e discuti-la. Contudo, os poderes concentrados nas novas elites fizeram com que o projeto de “mundo moderno” se tornasse, ainda no século XIX obsoleto e cruel com a maior parte da população europeia. Enfim, vieram os avanços científicos e com eles novas perspectivas do pensamento humano se desenvolveram. A arte, cuja natureza principal é o questionamento, também rompeu com as amarras românticas, idealizadas, e propôs, para além do culto à forma, um espaço de reflexão, de questionamento, ou ainda de libertação.

Esses movimentos artísticos foram denominados de “Vanguardas” e sua consolidação no início no século XX, sobretudo ao usurpar as formas literárias já tradicionais ( o romance e a lírica) formatou a escola moderna. Contudo, para compreender uma obra moderna, com seus questionamentos, com suas inquietações, com suas propostas revolucionárias, com suas estéticas, com suas releituras históricas e principalmente com sua libertação das amarras de modelos já consolidados e opressores, é necessário tomar a pílula vermelha.

A pílula vermelha é aquela que te liberta da alienação, que te permite reconhecer o rompimento das expressões e reforçam os elementos das impressões( Expressionismo). É aquela que te permite filtrar as propostas do futuro de forma a afastar toda e qualquer possibilidade de retorno aos modelos totalitários e opressores (futurismo). É aquela que propõe um olhar artístico até onde não se tem arte ( no amor, ou no elevador) reconhecendo que o artístico está na inutilidade primitiva do objeto (dadaísmo).Ou ainda, na melhor parte dela, é o rompimento total da censura da forma permitindo que sua mente e seu corpo naveguem livremente por todos as dimensões da realidade (surrealismo).

Enfim, a pílula vermelha não tem volta, porque uma vez libertado da alienação social, política, consumista, individualista e formal, não há mais volta. O indivíduo jamais se deixará aprisionar sem cogitar, em algum momento, a possibilidade de se rebelar.

O modernismo é o movimento cultural que envolve todas essas premissas e, consequentemente, reestrutura o pensamento literário fazendo com a arte sirva a um propósito cada vez mais claro e libertador: QUESTIONE! Pois assim, seguindo sempre o coelho da curiosidade e da inquietação, você poderá alcançar sempre o novo, e ser o seu próprio NEO!

Gil Vicente no seu tempo e no nosso tempo" - conferência em Coimbra | José Bernardes





 



Conferência na Biblioteca-Geral da Universidade de Coimbra, associada à temporada no Teatro da Cerca de São Bernardo do espectáculo "Embarcação do Inferno", de Gil Vicente (co-produção A Escola da Noite / Cendrev) - Intervenção de José Augusto Cardoso Bernardes, professor da Universidade de Coimbra. 17/11/2016, 18h00

Jamais serei brasileiro!

Você tem orgulho de ser BRASILEIRO? Se sim, sugiro que leia esse texto e talvez descubra que está fazendo algo errado contra si mesmo.

Em tempos em que modelos tão ultrapassados de ufanismo retornam ao nosso cotidiano, com pessoas diariamente defendendo as cores patrióticas, os símbolos nacionais e até o velho hino — que agora é cantado (ou tentam cantar) com as duas partes nos eventos esportivos, onde a obrigatoriedade da execução do hino se contradiz com a letra que diz “em teu seio, ó liberdade, desafia o nosso peito à própria morte” (liberdade e lei que pune com multa de até 100 mil reais parece não ornar), alguns termos me chamam a atenção. Mas deixemos os símbolos de lado, até porque essa é uma seara que nos levaria longe para entendermos como a camisa do time da CBF (Uma das instituições mais corruptas da história do Brasil) pode ser usada como insígnia de patriotismo e de luta contra a corrupção? Quero abordar aqui algo que independe de sua escolha ideológica ou inclinação política, trata-se da adoção de um termo que reproduz uma imagem muito negativa, de nós mesmos, e quase nunca questionamos sobre o uso dele: O gentílico “brasileiro”.


Segundo Maurice Halbwachs (2010), as estruturas linguísticas configuram discursos que atuam diretamente na formatação de uma sociedade. Ou seja, as palavras e seus respectivos conceitos, com ou não variações, agregam em si enormes cargas discursivas que nos condicionam à reprodução de conceitos e valores em nossas relações. No entanto, a reprodução, de acordo Durkheim (2013), é quase sempre destituída de reflexão crítica, disseminando assim padrões, juízos, convicções e princípios que não foram criados pelos usuários do termo, mas pelos antigos dominantes. E o pior, na maioria das vezes a reprodução acrítica de determinadas sentenças impacta negativamente contra os próprios proclamadores. Se você não é da área de humanas, talvez esses conceitos possam lhe parecer muito abstratos, mas fique tranquilo, a seguir vou mostrar um caso prático (que é o tema deste texto) para compreendermos de maneira mais clara o que é a “morfologia social”.


Você sabia que o gentílico “brasileiro” foi, até o começo do século XX, um termo pejorativo atribuído aos portugueses que exploraram a antiga colônia e voltavam para Portugal ricos, mas destituídos de cultura? Ou seja, eram considerados chulos e, apesar de ricos, não mereciam respeito da elite portuguesa. São inúmeras as citações de personagens “brasileiras “na literatura portuguesa, desde Padre Antonio Vieira à Eça de Queirós. O brasileiro como figura literária era quase sempre um bufão e carregava em si duas contradições, a imagem do progresso financeiro e o retrocesso à selvageria, comum naqueles que não convivem com os hábitos modernos e civilizados da sociedade oitocentista europeia. Portanto, brasileiro é uma figura mitificada no imaginário popular cujas posses não obscurecem a sua conduta reprovável, seu caráter duvidoso e sua completa ausência de sofisticação.


Agora pensem em uma rima para a palavra brasileiro? O que apareceu: Pedreiro, padeiro, fuzileiro, barbeiro… entre outras, não foi? Observem que essas palavras têm algo em comum: São profissões. Ou seja, estão diretamente associadas à função exercida por alguém. Logo, brasileiro é, literalmente, aquele que vive da extração do pau-brasil. Ou aquele que enriquece do trabalho no Brasil, conforme readequou-se no léxico português do século XIX, segundo Machado (2003).

O sufixo “eiro” ou “eira” (cabeleireira, costureira etc.) são exclusivamente utilizados, em língua portuguesa, para indicar a profissão exercida pelo indivíduo.

Agora, diga a si mesmo se você conhece algum país no mundo em que o adjetivo gentílico, aquele que identifica o povo, suas respectivas culturas e tradições possuí o termo referencial dessa identificação diretamente atrelado a uma função laboral? Pode pensar à vontade. Você dificilmente irá encontrar.

Dessa forma, quando nos identificamos como “brasileiros” reforçamos o estereótipo do homem trabalhador, honesto e confiável? NÃO!!! Lembre-se que quem criou o termo foram os portugueses e brasileiro é só alguém que pratica algo manual, ganha mais do que eles (possivelmente) e não possuí nenhuma cultura que mereça a atenção. Aliás, não possui cultura nenhuma. Brasileiro é talvez um emergente, mas um certo ignorante.

Não estou dizendo que é assim que os portugueses e o mundo nos veem atualmente, mas é assim que nos apresentamos e entoamos o tal orgulho de “Ser brasileiro”. Junto com o antiquíssimo modelo idealizante de uma nação unificada, uniforme e cristã, alimentado pelo ufanismo (que por si só já nos carimba como ignorantes), a palavra brasileiro não identifica a pluralidade cultural, religiosa e linguística que nos configura, mas sim nos recoloca às posições servis à coroa portuguesa, do século XIX. Como não existe mais monarquia em Portugal e com a consolidação do domínio das corporações cujas matrizes estão sediadas nas potências desenvolvidas, então o termo serve para nos lembrar que os reis mudaram, mas os servos jamais mudarão.

O termo correto, em língua portuguesa, que atribui o sentido de natividade, de origem, ou de características é formatado pelo sufixo “ano” (moçambicano), “ão” (alemão), “ense” (paranaense), “ês” (japonês) e “eu” (europeu). Dessa forma, correto estão os italianos, que desde sempre nos identificaram como “brasilianos”. Portanto, faça o bem para a nossa língua portuguesa, de hoje em diante afirme-se, defenda, ensine o seu espírito patriota a ser “brasiliano”, pois “brasileiro” em nada ajuda a sua imagem e ainda contribui para reforçar esteriótipos preconceituosos que não raro surgem nas relações dos tupiniquins com os “desenvolvidos”.

Mas se ainda não está convencido em adotar o termo “brasiliano”, pois se sente apegado ao “brasileiro” como uma ferrugem se apega a uma barra de aço, tenho mais um argumento associado ao termo. Se você é patriota e defende a cultura e os valores do nosso país, não ajude a atrelar nossa identidade às funções laborais que ajudaram a extinguir o nosso maior símbolo nacional. Símbolo esse que não foi criado por nenhuma campanha política e tampouco por instituições de caráter duvidoso, foi confeccionado pela natureza que assim como ele é tão mal tratada por nós: O pau-brasil.

Agora se você é daquele que faz continência, exalta e carrega a bandeira americana em suas manifestações públicas, se você defende a inserção no calendário nacional de feriado para o dia 4 de julho, e usa o lema “Make Brazil Great Again” como clara demonstração do seu nacionalismo brasileiro, o que eu posso lhe dizer é que você está muito certo. Parabéns! De fato, essas são ações de quem se vê como “brasileiro” — rude, servil e ignorante. O seu desrespeito por você mesmo é tão grande que você é incapaz de perceber que até o norte-americano, a quem tanto você se inclina e se oferece, te chama de “brasiliano”, já que brazilian, observe o sufixo, nada tem a ver com profissão.

Essa discussão nada tem a ver com xenofobia, até porque no Brasil é comum a xenofobia contra imigrantes africanos, latinos e até orientais; mas, nosso espírito servil nunca nos deixou trair nosso compromisso com os antigos senhores dessas terras e seus herdeiros vitalícios.

Portanto, tenha mais amor por si mesmo. Respeite a diversidade da sua pátria e a natureza de seus filhos que aqui nasceram e que morreram brasilianos.


Ari Silva Mascarenhas de Campos*

Coimbra, 01 de setembro de 2020.


*Professor, escritor, poeta e ensaista brasileiro. Investigador ativo das literaturas contemporâneas. Doutorando da Universidade de Coimbra.


Referências bibliográficas

DURKHEIM, Émile. The Rules of Sociological Method:And Selected Texts On Sociology And Its Method. Londres: Macmillian education U.K., 2013.

HALBWACHS, Maurice. Morfologia Social. Lisboa: Edições 70, 2010.

MACHADO, José P. Dicionário etimológico da língua portuguesa. Volume 1. Porto: Livros Horizonte, 2003.

 


Para Dona Malvina 

À mulher mais importante de minha vida. 

Mãe, acho que a senhora já sabe o quanto eu escrevi nessa vida. Sabe que publiquei livros, artigos acadêmicos, posfácios, prefácios, artigos de jornal, manifestos, declarações, inventários e inúmeros documentos. 

Sabe que escrevi poesias, de amor, de saudade, de felicidade. Poesias de protesto, poesias de resignação, de alegrias, de decepção, poesia religiosa, poesia pagã. Poesias para muitos amigos, para os meus irmãos, para desconhecidos, para muitas mulheres. 

Sabe que escrevi cinco livros só com poesias. Algumas boas, outras nem tanto, algumas inspiradas, outras só para cumprir páginas, e outras ainda piores que me foram encomendadas. 

Sabe que eu escrevi diários, desde quando tinha oito anos. Aliás, ainda os escrevo, claro que hoje com menos intensidade que os meus impulsos adolescentes pediam na minha juventude. Escrevi jornais, na escola. Escrevi inúmeras provas, trabalhos, resenhas, resumos, dissertações, explicações, felicitações... Escrevi muitas histórias. Contos, romances, escrevi desenlaces que na vida real jamais resolvi... Quantas canções. 

Foram tantos os motivos que me fizeram e ainda me fazem escrever que nem sei dizer  o que é realmente importante e o que não é, na hora de decidir se deixo ou não escrito. Mas sempre escrevi para as pessoas que me importavam.

Então, a escola em que trabalho atualmente, decidiu que faria um trabalho para o dia das mães e a coordenadora, para quem eu já escrevi muitas mensagens, me pediu que eu orientasse os meus alunos nessa atividade. Bem, passei alguns dias pensando em algum texto motivador para apresentar a eles, como exemplo do que se pode escrever para uma mãe. 

Foi aí que eu me dei conta do erro que cometi, sem nunca ter percebido. 

Escrevi a vida inteira, para tanta gente com quem me importei, para tantas namoradas que nunca mais me olharam, para tantos amigos que já me abandonaram há tanto tempo, para tantos alunos que já se formaram, para tantas línguas que não ouço mais, para tantos ouvidos que se fecharam...Mas para a única pessoa que nunca me abandonou eu jamais escrevi uma única linha. Exceto aquele “amor” que costurei no coração de algodão produzido no trabalho da minha terceira série. Coração esse que eu sei que a senhora ainda guarda, na sua velha caixinha de costura, e que toda vez que espeta uma agulha lê a única palavra que deixei registrada para ti.

Por isso, minha amada e querida mãe, hoje escrevo para dizer que essa será a primeira de muitas cartas que lhe enviarei, porque ninguém nessa vida merece, para mim,  mais palavras de amor, de carinho e de eterna gratidão quanto a senhora.

Por isso encerro esse pequeno relato com alguns curtos versos que teci exclusivamente para ti.

 Mãe querida, mãe amada

De ti, são doces as lembranças

De ti, vem a força que me apoio

De ti, vem a certa esperança

 

Se me movo, se me deito,

Se me ergo, se caminho,

Se existo, se logo penso,

É por ti, por teu carinho.

 

Mãe, termo que entristece o poeta,

por ser a única palavra que não rima,

Mas até nisso, fez-me na vida feliz

Já que a posso substituir por Malvina.

 

Perdoe-me, por tanto demorar

A oferecer homenagem nesses versos.

Agora, como primeiro ato registrado

Meu amor e meus sentimentos eternos.

 

À você rainha, minha ode se amplia

E faço da vida à ti honrarias altivas

Seguindo os ensinamentos que me dera

Em suas horas humanas e divinas.

 

Feliz dia das mães.

 

De seu filho que tanto te ama,

Ari Mascarenhas

Trabalho ou Sacrifício? Qual dos dois lhe parece mais motivador?


Conhecer a origem das palavras, nos permite compreender como o seu desenvolvimento foi lhe ofertando novos significados e, assim, podemos mensurar o quanto o uso dela na atualidade e afastou do sentido original, tornando-se às vezes antagônica ao senso formador do termo. Assim, vejamos nesse breve texto como as palavras “Trabalho” e “Sacrifício” atendem hoje a sentidos um tanto quanto disparatados de suas raízes.  

A palavra TRABALHO está localizada como derivação do verbo trabalhar, registrando-se no latim vulgar tripaliāre, interpretado como torturar, tendo raiz no latim tardio tripalium, em referência a um artefato de tortura usado pelos antigos romanos para castigar os réus ou condenados. 

O tripalium era um instrumento feito de três paus (tri = três e palium = palito). Neste aparelho de tortura, o criminoso era amarrado e depois submetido a chicoteamento. Não é de estranhar que, com o passar do tempo, a denominação tripalium do latim vulgar passasse a se chamar fadiga, sofrimento ou penalidade (esta denominação estava associada normalmente às atividades realizadas no campo e no regime de escravidão). 

Ao conhecer a etimologia de algumas palavras é produzido um efeito iluminador, já que a análise do termo permite compreender sua valorização ao longo da história. No caso da palavra trabalho, a mesma se refere à atividade transformadora que determina o rumo da humanidade. 

Na cultura greco-latina, a atividade trabalhista teve pouco reconhecimento social, pois o trabalho manual era considerado algo indigno e associado à condição de escravo. Se tomarmos como referência a mentalidade grega, um indivíduo que recebia salário de outro não podia ser considerado uma pessoa livre e, consequentemente, sua forma de vida não era estimulante (na pólis de Atenas, o trabalho manual e de pequenos comerciantes eram especialmente depreciados, porém a atividade artística gozava de prestígio e reconhecimento). 

Na civilização romana, mantinha-se o desprezo às atividades produtivas mais rudimentares, uma vez que a vida plena estava focada no lazer, na arte e na filosofia. Por outro lado, o termo negócio tinha um significado depreciativo que, na verdade, etimologicamente significa "negação do lazer" (negotium). 

Na visão judaico-cristã encontramos em Gênesis 3: 19 a interpretação cristã da ideia de trabalho. Textualmente quer dizer o seguinte: "Ganharás o pão com o suor da sua testa". Este versículo do Antigo Testamento é a consequência lógica da desobediência de Adão e Eva no Paraíso. Assim, a mulher foi castigada para dar à luz com dor e o homem foi obrigado a ganhar a vida com sofrimento. 

Para muitos o trabalho continuou sendo uma tortura 

A atividade de trabalho ideal é aquela que cumpre duas condições básicas: ser bem remunerada e eminentemente vocacional. 

Embora este ideal se concretize em alguns casos, para grande parte da população o trabalho é entendido como um suplício, ou seja, uma espécie de tortura que é tolerada por não haver outra alternativa. 

Poucos entendem o trabalho como sacrifício, e isso não é positivo, do ponto de vista etimológico.  

Até porque a palavra “sacrifício” é a justaposição de “sacro- ofício”, ou trabalho sagrado. A própria ideia de um trabalho sagrado pode gerar no indivíduo um senso de recompensa que  suplantaria a ideia de remuneração. Quero dizer, fazer o sacrifício pode ser mais recompensador ao sacrificado do que o trabalho ao trabalhador.  

Ainda que novos sentidos sejam atribuídos às palavras no transcorrer dos tempos, entender a razão de sua formação ajuda a resgatar a força semântica de sua criação e, consequentemente, nos permite refletir sobre o uso de tais termos. Se considerarmos apenas a etimologia das palavras, um “sacrifício” é bem mais motivador que um “trabalho”, e reconhecê-lo como tal não é desonra e tampouco motivo de lamentação, mas sim de orgulho por poder servir com sua força produtora à divindade, independente de qual seja ela. 

 


#4 Podcast Contempoemidade

Olá Nação Revolucionária, já está no ar o novo podcast do canal Contempoemidade.
Nesse programa vamos resenhar um antigo conto de Marcel Proust intitulado Violante ou a mundaneidade.
Clique no link  abaixo para acessar o áudio, curta, compartilhe e nos ajude a divulgar esse trabalho.
https://www.spreaker.com/user/11511519/violante-e-o-consumo

Acesse também e confira todos os podcasts do nosso canal:  https://contempoemidade.blogspot.com/p/ouca-o-nosso-podcast.html

50 livros que você precisa ler no ensino médio.

A leitura no ensino médio é essencial para o desenvolvimento do leitor, da crítica e da importância da literatura como forma de expressão do mundo. Além disso, ela nos prepara para os inúmeros desafios que a vida cotidiana, acadêmica, profissional e criativa nos reserva. Nesse sentido, considerando a experiência com os alunos do ensino médio nesses muitos anos de profissão, topei o desafio proposto por alguns ex-alunos e transcrevi abaixo o que, na minha opinião, são os 50 livros indispensáveis para se ler nos três anos de ensino médio.
Evidente que alguns textos ficaram de fora, como em toda lista, mas creio que os títulos abaixo dão conta de um recorte temporal, temático e estético essencial para que se possa compreender a literatura universal. Outro ponto a destacar é que a maioria das obras são em Língua Portuguesa. Não poderia ser diferente, afinal conhecer a base da literatura de nossa língua, independente do país, é o primeiro passo para que alcemos outros horizontes.
Alguns podem achar muito 50 livros, mas façamos uma conta simples. O ensino médio dura 3 anos, 36. Se dividirmos os 50 livros pela quantidade de meses teremos 1,38 por mês. Ou seja, menos de 2 livros por mês. Algo mais que possível. Necessário.  
No transcorrer do ano de 2020, comprometo-me a comentar cada uma das obras expressas nessa lista, como forma de abrir um diálogo sobre os principais temas e ampliarmos assim nossa capacidade de leitura. 
Então, espero que curtem e compartilhem essa lista. Caso discorde de algum título, fique a vontade para comentar no post. Será uma honra saber a sua opinião.


50 livros que devem ser lidos no ensino médio. 

  1. Os Lusíadas - Camões
  2. A Odisseia - Homero
  3. Sermões - Pe. Antônio Vieira
  4. Marília de Dirceu - Tomás Antônio Gonzaga
  5. Macbeth - W. Shakespeare
  6. Suspiros poéticos - Gonçalves Magalhães
  7. O Guarani - José de Alencar
  8. Memórias de um Sargento de Milícias - Manuel Antônio Almeida
  9. Memórias Póstumas de Brás Cubas. - Machado de Assis
  10. Memórias de Marta - Júlia Lopes de Almeida
  11. O Ateneu - Raul Pompeia
  12. O Cortiço - Álvares de Azevedo
  13. Bom Crioulo - Adolfo Caminha
  14. A luta - Emília Bandeira de Melo
  15. Tropos e Fantasias - Cruz e Souza
  16. EU - Augusto dos Anjos
  17. Os Sertões - Euclides da Cunha
  18. O triste Fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto
  19. Negrinha - Monteiro Lobato
  20. Macunaíma - Mário de Andrade
  21. Libertinagem - Manuel Bandeira
  22. Memórias Sentimentais de João Miramar - Oswald de Andrade
  23. Incidente em Antares - Érico Veríssimo
  24. Jubiabá - Jorge Amado
  25. Capitães da Areia - Jorge Amado
  26. A hora da estrela - Clarice Lispector
  27. Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa
  28. Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos
  29. Leite derramado - Chico Buarque
  30. Paranoia - Roberto Piva
  31. O cão sem plumas - João Cabral de Melo Neto
  32. Viagens em Minha Terra - Almeida Garrett
  33. A cidade e as Serras - Eça de Queirós
  34. Ualalapi - Ungulani Ba Ka Khosa
  35. O processo - Kafka
  36. Terra Sonâmbula - Mia Couto
  37. Os transparentes - Ondjaki
  38. Predadores - Pepetela
  39. O evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago
  40. Ficções - Jorge Luis Borges
  41. Cem anos de Solidão - Gabriel Garcia Marques
  42. O morro dos ventos uivantes - Emily Bronte
  43. O mestre e Margarida - Mikhail Bulgakov
  44. Os irmãos Karamazov - Fiódor Mikhailovich Dostoiévski
  45. O livro do desassossego -  Bernardo Soares
  46. Drácula - Bram Stoker
  47. As vinte mil léguas submarinas - Júlio Verne 
  48. The Silmarillion - Tolkien
  49. O homem do Castelo Alto - Philip K. Dick
  50. Sentimento do Mundo - Carlos Drummond de Andrade

Ari Mascarenhas





Novas aquisições da Universidade de Coimbra

Amigos, estou muito orgulhoso com a inclusão no acervo da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra das obras abaixo. Trouxe esses livros para Coimbra com o intuito de incluí-los no acervo da universidade para que estejam disponíveis aos estudantes, professores, investigadores e público-geral que frequentam esse espaço.
Os livros farão parte de um acervo ainda em formação sobre a produção de poesias oriundas dos Saraus que espalham cultura nas periferias da grande São Paulo.
Segue a descrição das obras que, a partir do dia 01/11/19, estarão disponíveis para pesquisa e empréstimo no sistema integrado de bibliotecas da Universidade de Coimbra.

- Segundos (2014) - Coletânea de poemas produzidos a partir das escritas automáticas desenvolvidas por um grupo de alunos do ensino médio. Autor: Ari Mascarenhas.
- Mais que poesias ( 2013) - Autor: Chico Urcine.
- Fruto Vermelho (2008) - Autor: Ari Mascarenhas.
- Portal Amigos do Livro (2013) - Autor: Vários
-Contempoemidade - (2012) Autores: André Lacé, Ari Mascarenhas, Ewerron de Souza, Gabriela Saraiva Malheiros, Marcio Callegaro e Violeta Pandolfi
- Minha Serra tem Poesia (2015) Antologia do grupo de poetas Itapoesia.